Depois do treino, voltei para a casa da alcateia e subi até o escritório do meu pai. Ouvi vozes do outro lado, então me encostei na parede ao lado da porta e me acomodei para esperar a pessoa que estava lá terminar. Meus ouvidos se aguçaram quando ouvi meu nome.
— Você vai mesmo deixar Amy comandar nossa alcateia? — Uma voz nasal chamou docemente.
— Nossa alcateia? — A voz do meu pai era suave e confusa.
— Sim, meu amor. Nossa alcateia. Você prometeu me tornar luna na próxima lua cheia, se lembra?
— Eu prometi? — Me encostei mais na porta e pressionei o ouvido contra ela. — Aurora, o que você está fazendo? — A pergunta irritada do meu pai me pegou de surpresa. Algo estava acontecendo lá dentro. Algo que ele não gostava, mas que não estava impedindo.
— Estou me ligando a você. — Ouvi um alvoroço, mas me afastei e arrombei a porta com um chute. Vi Aurora inclinada sobre meu pai, mantendo sua cabeça inclinada para trás. Ela estava derramando algo na boca dele, e eu a derrubei no chão.
Minha mente se conectou com Ronnie e Beck. — Venham para o escritório do meu pai agora!
Mal ouvi a resposta deles enquanto dava um soco no rosto de Aurora. — Quem diabos você pensa que é? — Gritei, sendo puxada de cima dela. Meu pai respirava com dificuldade, os olhos semicerrados, com um leve tom rosado substituindo o azul habitual.
— Como ousa atacar minha luna? — Ele gritou na minha cara, ofegante.
Aurora, com o rosto inchado e sangrando, se levantou lentamente e me lançou um sorriso debochado. Observei seu rosto se curar aos poucos, mas meu pai rosnava para mim como se não me reconhecesse. — Eu disse que ele seria meu.
Meu pai me jogou contra a parede novamente e agarrou meu pescoço com as mãos enquanto eu lutava. Dei um chute no estômago dele, mas não queria o machucar, mesmo enquanto ele tentava me matar. — Pai…
— Cale essa boca imunda. Eu não sou seu pai. Só estarei com minha companheira, que é Aurora. — Tentei recuar, mas suas mãos apertaram meu pescoço. Notei um brilho no dorso da mão dele, mas quando foquei no local, já não havia nada.
— Que porra tá acontecendo aqui? — Beck e Ronnie entraram correndo no escritório.
— Por favor, não me faça ver você matando sua própria filha. Ela é como uma filhote para mim.
— Ela não é minha! — Ele se virou para Ronnie, me soltando no chão. — Aurora me contou a verdade. Ela é uma farsa. Aurora é minha verdadeira companheira, não Ainsley.
Tossi no chão e sacudi a cabeça. Limpei a garganta e puxei Nix para a superfície. — Todos, parem. — Todos na sala pararam, inclusive meu pai. Me ergui do chão com esforço. — Beck, leve Aurora para as celas agora. Ronnie, certifique-se de que alguém de patente superior vigie a cela dela, mas não permita que ela toque em ninguém.
— Sim, Amy. — Beck a agarrou e a puxou para fora da sala novamente.
— Não. — Meu pai chamou atrás deles. Mas enrosquei meu braço no pescoço dele e o puxei para trás para o impedir.
— Vai! — Beck saiu com Aurora gritando, e eu me virei para Ronnie. — Feche a porta. — Lutei com meu pai no chão, e ele me atacava. Me deu um soco no meu rosto enquanto eu fazia o possível para o imobilizar. — Loki! — Gritei pelo lobo do meu pai e observei enquanto ele lutava por controle.

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