A Ágora era de tirar o fôlego. A clareira parecia uma pedreira natural, se é que isso fazia algum sentido. As rochas estavam dispostas em degraus, descendo até o piso inferior. E já começava a se encher com os membros da alcateia. Havia um caminho que contornava a parede lateral da cratera até terminar lá embaixo, onde uma cadeira, ou melhor, um trono aguardava. Havia uma menor ao lado, que eu só podia supor ser para o Alfa e a Luna.
Enquanto eu descia com meu pai, sentia a verdade se instalar nos meus ossos. Este era o local de nascimento da nossa espécie. Dava para sentir as raízes antigas envolvendo tudo ao redor. As árvores se curvavam para fora, permitindo que o sol e a lua brilhassem sobre as pessoas reunidas ali.
Este era o lugar onde os destinos eram decididos.
Meu pai e eu chegamos ao fundo. Ele gesticulou para que eu me sentasse na cadeira da Luna e eu assenti. Me acomodei e meu pai caminhou até o centro enquanto todos se posicionavam. Era possível ver o orgulho transbordando nos lobos que conheciam a verdade sobre este lugar. E aqueles que não sabiam, apenas se sentavam, tremendo diante do poder que os envolvia.
Todos cochichavam até que meu pai levantou as mãos, pedindo silêncio:
— Entrem, encontrem um lugar.
— Alfa? O que está acontecendo? — Um lobo gritou da fileira de trás. Olhei para ver quem era, mas não consegui identificar.
— Por favor, acomodem-se. Vou responder todas as suas perguntas. Meu pai esperou alguns minutos. Olhou para mim e depois assentiu. Se sentou em seu trono e levantou as mãos novamente. A Ágora ficou em completo silêncio. — Chamei todos vocês aqui por um motivo específico. Preciso que a família Williams renuncie. — Meu pai chamou, friamente.
Assistimos Amanda e sua família descerem lentamente pela trilha até o chão. Chegaram à nossa frente e se curvaram. — Alfa? Por que chamou minha família até aqui? — Jay Williams, pai de Amanda, perguntou.
Soltei um suspiro debochado enquanto encarava Amanda:
— Vai fingir ignorância também, Amanda?
Jay virou os olhos para a filha e depois para mim:
— Amy. Eu não sei o que minha filha fez, mas juro que não sei de nada. — Jay se virou para Amanda. — Mas que merda você fez?
— Nada! — Ela gritou e caiu no chão. — Alfa, tudo o que disserem sobre mim é mentira.
Meu pai se levantou, andou até ela, se agachou e ergueu seu rosto:
— Está chamando minha filha de mentirosa?
Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ela olhava para mim e depois de volta para meu pai:
— Não, Alfa.
— A Ágora é um lugar de poder, e está nos puxando para emergir, para nos fundirmos completamente, para transformar. — A voz de Nix estava áspera com o esforço de se manter contida.
— Você vai ter que se transformar. — Megan arfava. — Tem que ser Nix, senão eu serei forçada a sair. Ela precisa parar de resistir. Logo, ou não teremos escolha sobre quem vem à tona.
— Okay. — Balancei a cabeça, tentando clarear os pensamentos. Meu pai olhou para mim, e havia preocupação em seus olhos. Os pelos começaram a recuar um pouco enquanto eu recuperava o controle. Encarei Amanda e me levantei. Caminhei até ela com o pelo arrepiado de raiva:
— Quem, Amanda?
Amanda tremia enquanto tentava resistir à aura que vazava de mim, mas falhou:
— Aurora.
Jay e Sheila prenderam outra respiração:
— Amanda, por quê?

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