Consegui derrubar o lobo que mergulhava em direção ao filhote e rapidamente dei fim a ele. Girei em direção à família, que chorava enquanto eu me aproximava, farejando ao redor para garantir que ninguém estivesse ferido. — Está tudo bem. Vão para o prédio mais próximo e se tranquem em um quarto.
A mãe e a criança continuavam chorando, mas o pai assentiu. — Obrigado... Alfa... — Ele deixou a frase no ar, e eu percebi que essas pessoas estavam com tanto medo que nem conseguiam sentir meu cheiro corretamente.
— Sou Nix, a loba de Amy. — Lambi meu focinho para limpar o sangue e não assustar a criança. Mas ela se atirou em mim.
— Amy?
— Sim. Agora você está segura, Sophie. Faça o que eu disse e vá. Fiquem seguros. — A mãe e o pai puxaram a filhote das minhas patas e correram para dentro da casa onde tinham sido encurralados. Ouvi portas baterem e uma tranca girar antes de correr em direção a outro uivo.
Atravessei o território da alcateia. Um pedido de ajuda atrás do outro. Às vezes, chegava a tempo. Outras, alguém já tinha resolvido antes de mim. Estava prestes a correr para o próximo uivo, mas ele foi interrompido, e um grito cortou o ar. Um grito tão raro que me virei imediatamente naquela direção. Era um chamado mais insistente, mais desesperado e quando virei a esquina, entendi o motivo. Meu estômago afundou.
Um pai e uma mãe, um casal que eu não reconhecia, então provavelmente eram novos. Estavam caídos, ensanguentados, diante de duas crianças. Um menino de cerca de sete anos agitava um graveto para tentar afastar três renegados, enquanto uma menina de quatro anos gritava por socorro. Ela se agarrava aos pais caídos, balançando o corpo da mãe. Rezei à Deusa da Lua para que estivessem apenas inconscientes, não mortos, mas pelo crescente lago de sangue ao redor da família, duvidava que minhas preces fossem atendidas.
Me lancei sobre o primeiro renegado antes mesmo que ele percebesse minha presença. Cravei os dentes em seu pescoço e soltei o corpo aos meus pés quando os outros dois se viraram para me enfrentar.
Um saltou em direção ao meu pescoço, mas consegui desviar. Virei a cabeça e ataquei o que estava na minha frente, enquanto o segundo pulava nas minhas costas, mordendo meu ombro. Soltei um ganido de dor, mas consegui me livrar do lobo. Girei e rosnei para os dois, que recuaram.
— Amy, Nix, não!
Mas fechei a conexão e me foquei nos dois renegados à minha frente. Tomei minha decisão. Ouvi um uivo de puro desespero ecoar no ar, que era do meu pai. Eu sabia que ele estava vindo até mim, mas seria tarde demais.
Saltei sobre o primeiro lobo. Lutamos, enquanto o segundo esperava nas laterais, mas dessa vez, não faria diferença. Cravei minhas garras no primeiro, que gritou. Mordi seu ombro ao mesmo tempo que o segundo lobo atacava meu flanco. Nós três rolamos pelo chão, até que o primeiro ficou por cima de mim, com o segundo ao lado. Ouvi as crianças gritarem, apavoradas, e enterrei minhas patas traseiras na barriga do primeiro.
Ele tentou saltar para longe, mas eu não largava seu ombro. O segundo tentou morder meu pescoço, mas antes que conseguisse cravar os dentes, o primeiro já estava morto. Joguei seu corpo para o lado e sacudi o segundo, que rasgou ainda mais meu pescoço no processo. Cambaleei de pé e me plantei entre o segundo lobo e os filhotes atrás de mim. Soltei um rosnado feroz enquanto sentia minhas pernas falharem e o sangue jorrar do ferimento no meu pescoço.

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