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Destino Alterado (Alicia S. Rivers) romance Capítulo 62

O médico estava colocando cada vez mais gaze no ferimento, jogando as encharcadas de sangue no chão. Ficava cada vez mais apavorado à medida que a pilha de gazes usadas crescia. — O que está acontecendo? — Meu pai se aproximou da cama.

— Não está fechando.

— Como assim? — Meu pai agarrou o braço do médico, mas ele o sacudiu.

— A solução de soro com extrato de lupino deveria ter eliminado boa parte do acônito do sistema dele, mas ele ainda não está se curando. Está sofrendo uma hemorragia severa. — O médico enfiou mais gaze no ferimento e levantou os olhos. O suor escorria por seu rosto e seus olhos estavam arregalados. — Eu... eu acho que ele não vai sobreviver.

— Merda. — Meu pai agarrou os ombros do médico. — Você, salve ele.

— Alfa... — O médico balançou a cabeça, tentando se recompor. — Precisamos de sangue então.

— Pegue o meu. — Meu pai estendeu o braço, e o médico balançou a cabeça.

— Você é A positivo, o beta é O negativo. Ele só pode receber sangue O negativo.

Meu pai cambaleou até uma cadeira que estava atrás dele. Caiu sentado e abaixou a cabeça entre as pernas, quase derrotado. — Pegue o meu. — Estendi o braço e meu pai levantou a cabeça num estalo.

— O quê?

— Eu sou O negativo. Pegue meu sangue. Salve ele. — Estendi o braço na frente do médico e vi os ombros dele relaxarem enquanto ele assentia para Sarah.

Ela me puxou para a cabeceira da cama e trouxe outra cadeira para me sentar. Saiu correndo do quarto e voltou com outro pacote que depositou na cama. Lavou as mãos, vestiu novas luvas, abriu o pacote e tirou um novo cateter. Pegou meu braço direito e o posicionou ao lado do corpo de Ronnie:

— Ainda bem que somos lobos.

— O que isso significa? — Perguntei enquanto ela inseria a agulha no meu braço.

— Significa que, se fôssemos humanos, eu teria que tirar seu sangue, o testar e só depois poderia o usar. Como somos lobos, posso ligar você diretamente ao Beta. — Ela conectou meu tubo ao IV dele, e meu sangue começou a fluir diretamente para ele. — Me avise se começar a se sentir tonta.

— Alfa, peça suco, água e proteína para Amy. Ela vai precisar repor o sangue enquanto doamos. Vamos precisar de bem mais do que o normal para uma doação. — Meu pai assentiu e, em poucos minutos, um carrinho com comida foi trazido por uma ômega.

— Sim, Alfa.

— Dispensada. — Enviei ela embora e escondi minha aura de novo.

— O que está planejando? — Meu pai se inclinou para frente. Ignorei o médico e as enfermeiras, sabendo que eles manteriam o silêncio.

— Quero que quem fez isso pense que conseguiu. Quero que eles acreditem que saíram impunes. E quero usar isso para os capturar.

— Amy? O que está acontecendo? — Bebi um suco e levantei a mão enquanto devorava um sanduíche. Estava começando a me sentir tonta e precisava comer algo. — Acho que você descobriu algo e eu ainda estou tateando no escuro.

Tentei ao máximo o encarar, de verdade, mas sabia que ele não iria gostar do que eu estava prestes a dizer: — É Beck, papai.

— O quê?

— Preciso que me escute até o fim, sem me interromper, e pense bem antes de defender ele. Quero que pense com clareza. Não deixe o passado te influenciar. Me promete? — Finalmente o encarei, e ele assentiu rapidamente. — Aurora escapou do Gamma, o que deveria ter sido impossível, considerando a força dela. Ela também conseguiu o atacar e o deixar desacordado tempo suficiente para sair do território do alcateia, mas ele não avisou ninguém pela conexão mental. Ronnie o encontrou inconsciente perto da cela dela. — Esperei que ele assentisse antes de continuar. — Depois veio o ataque. Os renegados sabiam detalhes íntimos da alcateia e dos nossos procedimentos, que só o Gamma saberia. E agora, Beck está bem e ativo, e Ronnie é atacado, quase morto. Teria morrido, se não fosse pelo treinamento secreto que o pai fez vocês passarem.

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