Acordei assustada, me sentando de repente na cama e apertando o peito arfante. Que diabos foi isso? Olhei ao redor do quarto, certa de que encontraria o lobo negro de olhos azuis brilhantes ali, mas estava sozinha.
— O que foi aquilo? — Soltei uma risadinha e me joguei de volta na cama. Só de lembrar da voz dele, minha pele já se arrepiava inteira. Fechei os olhos e a imagem dos olhos dele surgiram na minha mente. “Quem é você?”
Houve uma batida na porta e me sentei novamente, empurrando o lobo misterioso para fora da minha cabeça. Me levantei e olhei para os lençóis arruinados. — O sangue. — Hum. Fui cambaleando até a porta, esfregando os olhos. Abri uma fresta e Cass entrou empurrando. — Acorde.
— Cass? — Limpei o rosto enquanto me virava para encarar a Cass irritada sentada na ponta da minha cama toda bagunçada. — O que você tá fazendo aqui? — Olhei para o relógio no criado-mudo. — São seis da manhã.
— Exatamente. — Ela apontou para o banheiro. — Vai tomar banho e se arrumar. Saímos daqui em duas horas.
— Pra quê?
— Só temos até às duas da tarde. — Ela se levantou e me empurrou em direção ao banheiro, mas eu ainda estava confusa.
— Cass?
— Vai tomar o banho. — Ela bateu a porta na minha cara e eu encostei a testa nela, balançando a cabeça. Eu estava exausta. Mas pelo jeito, Cass tinha um plano.
— Tudo bem. — Me afastei da porta e liguei o chuveiro. Precisava tirar o sangue do corpo mesmo. Já estava começando a coçar. Tirei a roupa e olhei para as peças nas mãos. Em vez de colocá-las no cesto de roupa suja, joguei diretamente no lixo. Não dava pra salvar.
Entrei debaixo da água e suspirei. A água quente aliviava uma tensão que eu nem sabia que tinha. Os últimos dias tinham me cobrado caro. A água estava marrom-avermelhada de sujeira e sangue, e esperei ela clarear antes de me ensaboar. Lavei o cabelo várias vezes até a água finalmente ficar limpa.
Quando terminei, saí e encontrei uma Cass muito impaciente. Agora eu estava mais acordada pra lidar com ela. — Agora você pode me dizer o que está acontecendo?
— Não sei quando vamos nos ver de novo. Quero usar essas próximas... — Ela viu o relógio, — sete horas e meia pra passar um tempo de qualidade com você antes de você ir embora. — Ela se sentou com força na ponta da minha cama de novo. — Sinto que mal passamos tempo juntas neste verão. Você vivia treinando, e eu também.
Assenti enquanto andava de roupão e me sentava ao lado dela. — Eu sei. — Disse eu. — Sinto que devia pedir desculpas, mas estávamos onde precisava estar esse verão.
Cass assentiu e olhou pra mim com os olhos marejados. — Eu não quero que você vá embora.
— Eu sei. Eu também não quero.



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