O rosto de Ronnie ainda era uma máscara de confusão. —Então, espere. Você está dizendo que sua mãe aceitou se casar com Morgan só para criar Shannon? Mas quando foi que ele quis renegociar, e por quê?
Revirei os olhos. — Depois de alguns anos, ele passou a gostar da companhia da minha mãe. Ele se apaixonou por ela. A companheira dele já estava morta e o vínculo havia desaparecido. Mas o companheiro da minha mãe ainda estava vivíssimo.
— O vínculo dela nunca desapareceu... — A voz de Lynn saiu suave, como se percebesse o que isso significava.
Apenas assenti. — Minha mãe nunca deixou seu companheiro. Ela nunca teve sentimentos por Morgan e estava muito satisfeita com a amizade deles. Mas quando ele sugeriu se tornarem um casal de verdade, minha mãe recusou. Mas...
— Ele usou a ameaça de divórcio para forçá-la a isso. — Me inclinei e encarei os olhos dela, depois assenti.
— Exatamente.
— É por isso que seu pai nunca sentiu a dor da traição por anos, até você ter ido embora. — Ronnie estava ofegante.
— Sim. E é por isso que ela bebe. — Me recostei no assento e suspirei. — Ela se embriaga quase até ficar inconsciente e então se entrega a Morgan para deixá-lo feliz. Não acontece com frequência, e ele tenta impedir que ela beba, mas da última vez que tentou, ela quase o matou.
— O quê? — Ronnie se encolheu sobre si mesmo.
— Ele tentou a forçá-la... — Engoli seco e reprimi um arrepio. — Quando ela estava sóbria, a loba dela tomou o controle e quase o despedaçou. Ele nunca mais tentou.
— Por que ela não vai embora? — Soltei uma risada sem humor.
— Você não está ouvindo?
— Eu não entendo.
Lynn rosnou de frustração. — Se uma fêmea se torna propriedade, suas filhotes também se tornam. Mesmo depois de atingirem a maioridade, continuam presas pela lei, sem poder se vincular. Para sempre.


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