Isso me parou por um minuto. Olhei para minha mãe e ela sorriu: — Carl aqui é o que você chamaria de nômade. Ele fazia parte da alcateia do meu pai, mas me acompanhou até a do seu pai, e depois até aqui. Ele se recusou a jurar lealdade ao Vince. Por isso, vive fora das terras da alcateia. Montou sua loja aqui e, como é um dos poucos guerreiros com habilidade para fazer o spray de disfarce, Vince o tolera. — Minha mãe foi até Carl e deu um beijo em sua bochecha.
— Sempre é um prazer ver minha Luna.
— Ah, então ele quis dizer que segue você. — Fiz um gesto entre os dois, e minha mãe olhou para Carl, que também assentiu discretamente.
— Sim e não. Carl também é um xamã.
— Um o quê?
— Um xamã. — Minha mãe estendeu a mão e eu fui até eles. — Seu pai tinha a avó para lhe ajudar com a alcateia. — Ela me encarou. — Meu pai tinha Carl. — Eu olhei nos olhos dela. Ela queria que eu entendesse.
— Xamãs são como a avó? — Inclinei a cabeça, e Carl riu.
— Sim e não. — Dessa vez, foi ele que respondeu. — Somos abençoados pela deusa, mas nossos dons são diferentes. Nós nos conectamos com a terra e com a deusa. Mas normalmente recebemos sentimentos.
— Sentimentos?
— Sim. Digamos que um lobo entre e esteja doente. Eu posso sentir dor ou desconforto. Não vejo uma imagem clara, mas sei que algo está errado. — Ele tentou explicar, mas riu. — Não é uma grande explicação, mas se você tivesse o dom, entenderia.
— Papai? Com quem você está falando? — Uma menina saiu dos fundos.
— Venha aqui, Carly. — Ele acenou e a pegou do chão. —Quero que conheça alguém muito especial. — A menina era adorável, com maria-chiquinhas loiras e olhos castanhos como chocolate. A boca dela estava suja de algo que parecia manteiga de amendoim com geleia.
— Carl, você nunca me contou. — Minha mãe cobriu a boca e vi que lágrimas se formaram nos olhos dela.
— Você passou por tempos difíceis. Eu não podia arriscar. — Ele olhou entre nós duas. — Vince teria tentado levar ela.
— Leve Carly e Carl. Se escondam. — Minha mãe puxou os dois para os fundos e voltei ao salão da loja. Rapidamente procurei e vi uma prateleira de sprays de disfarce. Corri até lá, peguei um frasco, joguei no chão e o quebrei com o pé, deixando o líquido se espalhar.
Todos os cheiros do lugar sumiram. Fui até os fundos, peguei a placa de "piso molhado" e o esfregão. Os olhos da minha mãe estavam arregalados, mas fiz sinal de silêncio. Alguém bateu à porta, e o medo estava no rosto de Carly. Minha mãe a segurou com força, e Carl parecia estar em transe.
Voltei para a frente. — Só um minuto! — Gritei, colocando a placa no chão. Pisei no líquido espalhado, fazendo com que ele espirrasse ainda mais. Bateram novamente. — Eu disse só um minuto! — Fingi estar irritada e abri a porta com o esfregão na mão. — Alfa Vince. Brandon. — Fingi surpresa. — O que vocês estão fazendo aqui?
— Estávamos segu…
— Viemos ver Carl e reabastecer alguns itens essenciais. — Vince interrompeu Brandon.
Assenti e empurrei o balde de volta para o líquido no chão. —Carl saiu para reabastecer também. Deve demorar algumas horas para voltar. — Menti, me virando para os dois. — Tem algo em que eu possa ajudar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Destino Alterado (Alicia S. Rivers)
O livro está como concluído porém terminaram sem continuacao falta ainda o conselho emacharmos licans e chato pararem no ápice do livro...