Enrique fez uma pausa, seus belos olhos amendoados lançaram um olhar distraído para as costas de Carla.
A mulher mantinha as costas eretas, com passos decididos, e em poucos instantes sumiu de vista.
Ela era sempre assim: fria e teimosa.
Lá fora, de repente, trovejou forte. Enrique franziu ligeiramente as sobrancelhas, pronto para ir atrás dela, mas então ouviu Olívia dizer com uma voz delicada e carente: "Vai chover… Estou sozinha, fico com medo…"
No fim, Enrique não a seguiu.
Porque ele sabia que Carla não iria longe.
Ela estava em Cidade Cristal, sem amigos, sem família, só podia contar com ele.
Para onde ela poderia ir?
Daqui a pouco voltaria.
De fato, Carla não tinha para onde ir. Mal saiu, começou a cair uma tempestade daquelas de verão.
Saiu tão apressada que nem levou o celular, e só pôde se abrigar, toda desajeitada, na porta de uma loja de conveniência.
Olhando para a cortina de chuva embaçada, Carla sentiu o coração apertado.
Três anos atrás, quando chegou em Cidade Cristal, também era época de chuvas.
Teve uma vez que choveu e eles estavam sem guarda-chuva.
Mesmo estando a poucos passos do carro, Enrique tirou o blazer caríssimo que usava para protegê-la da chuva.
Dentro do carro, ela ficou com pena do terno caro, agora encharcado e inutilizável, mas Enrique sorriu para ela e disse: "O que é um terno? Você é o meu bem mais precioso."
No carro escuro, os olhos dele brilhavam como nunca.
Agora, ele nem se dava ao trabalho de levar um guarda-chuva para ela.
Carla soltou um sorriso amargo.
De repente, a porta de vidro da loja se abriu com um "volte sempre!" do atendente, acompanhado de uma lufada de ar quente, e saiu um homem de ombros largos e cintura fina.
"Carla, aqui está um guarda-chuva pra você." A voz masculina, profunda e fria, soou.
Carla olhou para trás e encontrou um par de olhos puxados, gélidos como gelo eterno.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desvie Já! Esse Homem-é-Lixo!