O coração de Adélia disparou.
O que... ele queria dizer com aquilo?
— Já descobri tudo sobre o Rafael — Emanuel a observou por um longo tempo. O olhar escuro e sombrio carregava um frio que a fez estremecer.
— Ele se formou em uma faculdade mediana, tem um irmão mais novo e os pais vivos. Atualmente, ainda mora com a família e não comprou casa própria.
— Embora a situação dele seja um pouco fraca, os vizinhos e colegas de trabalho dizem que ele tem bom caráter. É alguém com quem vale a pena sair.
Então, a ligação que ele atendeu do secretário no carro havia sido para investigar os antecedentes do seu pretendente.
Como em uma montanha-russa, o coração de Adélia despencou das alturas direto para o fundo do poço.
Na cabeça dela, era como se ele já tivesse decidido qual seria o lugar dela na vida: casar com um homem comum e levar uma vida simples para sempre.
E Emanuel nunca lhe apresentara nenhum dos homens de sucesso que faziam parte do seu círculo.
Aquilo a deixou desconfortável.
Adélia franziu as sobrancelhas, cheia de vontade de dizer-lhe que ele não precisava se intrometer na sua vida, mas no fim, manteve a boca fechada.
Naquele momento, anunciaram o embarque do seu trem de volta à Cidade N.
— Adélia, pegou a identidade? A temperatura vai cair de novo na Cidade N. Você tem a memória ruim, então lembre-se de vestir mais roupas para o trabalho, não me faça ficar preocupado. — Emanuel aconselhou.
— Está no bolso — Adélia apalpou a roupa.
Ele murmurou em concordância e colocou a mão sobre as costas finas dela, deslizando-a de leve. Era um gesto que virara hábito ao longo de muitos anos, um costume que ele ainda não tinha perdido.
— Vá lá. Me mande mensagem quando chegar em casa.
Adélia seguiu o fluxo de passageiros para entrar na fila.
De repente.
Atrás dela, soou um chamado familiar.
— Adélia.
Em um sobressalto, Adélia apertou a alça da bolsa com força.
Ao se virar, viu Emanuel de pé à beira da multidão.
Com as mãos nos bolsos do sobretudo, ele tinha uma aparência tão marcante que se destacava em meio às pessoas. Era impossível saber quantas garotas ao redor o observavam furtivamente.
Ele acenou e disse:
— Adélia, adeus. Que você seja muito feliz.
Desta vez, eles haviam passado vários meses sem se ver.
Quem sabe quando seria a próxima vez.
Adélia apertou as mãos.
E também acenou para ele:
— Adeus.
Em seguida, virou-se e adentrou a multidão.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dez anos de amor secreto