Cícero ergueu os olhos e viu as pipas coloridas flutuando no céu. Ficou observando por um longo tempo, até que uma nova pipa subiu, atraindo sua atenção.
Por algum motivo, seu coração acelerou de um jeito incomum, como se ele estivesse se aproximando de algo.
Num instante, desviou o olhar do céu e, quando ia focar ao longe, um carrinho cheio de balões cruzou seu caminho.
O carrinho trouxe consigo uma rajada de vento gelado, que balançou a barra do seu sobretudo e o atingiu em cheio no peito, provocando-lhe um frio inexplicável na alma.
O olhar de Cícero pousou sobre os balões. De repente, ele se lembrou de uma cena do passado.
Certa vez, teve de acompanhar Eduarda ao casamento de um parente mais novo da família Machado. No evento, o cenário era bem parecido: o gramado verde estava cheio de balões de todos os tipos.
Cícero já não se lembrava direito dos detalhes; só recordava que Eduarda parecia muito feliz e encantada com aquelas coisas românticas.
Mas, naquela época, ele não se importava com esses caprichos, nem com os sentimentos ou gostos de Eduarda.
Agora, ao ver tudo isso, sentia uma tristeza profunda. Se tivesse sabido valorizá-la e entendido o próprio coração, teria poupado muito sofrimento, e a relação dos dois não teria chegado àquele ponto.
Ele havia errado tanto que, talvez, até os céus já não suportassem assistir a tudo aquilo e, por isso, tivessem levado Eduarda para longe dele.
Mas ele só queria dizer aos céus que reconhecia os próprios erros e implorar por uma chance de se redimir. Mesmo que o caminho fosse espinhoso e difícil, estaria disposto a segui-lo sem hesitar. Queria apenas uma chance, nada mais.
Pensando nisso, Cícero sentiu o coração ainda mais gelado. Deu as costas ao carrinho de balões e foi embora sem olhar para trás.
Do outro lado, Franklin e Eduarda ainda se mantinham abraçados. Depois de alguns segundos, os dois coraram e se afastaram rapidamente, sem jeito, sem saber para onde olhar.
Naquele instante em que trocaram olhares, ambos pareceram ler no outro uma emoção indescritível, mas, em um acordo silencioso, nenhum dos dois tocou no assunto.
Eduarda sentia-se tímida e constrangida. Ela e Franklin haviam mantido uma distância respeitosa por muito tempo. Ele nunca havia feito nada inadequado, então um contato repentino como aquele era naturalmente embaraçoso.
Ela o observou discretamente algumas vezes, mas Franklin não parecia demonstrar reação. Eduarda sentiu uma pontada de decepção, mas logo sua atenção foi capturada pelo carrinho de balões à frente, e ela acabou esquecendo o desconforto.
Seus olhos não conseguiam se desgrudar daquelas cores vibrantes, então ela falou enquanto caminhava:

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