Franklin perdeu o resto da paciência que ainda tinha para aquela conversa absurda:
— Sinto muito te decepcionar, mas a Eduarda deixou de ser sua há muito tempo. Você não tem moral nenhuma para exigir nada de mim. É você quem precisa aceitar a realidade.
Cícero explodiu:
— E você não acha que está agindo como um covarde oportunista? Atendendo o telefone dela como se fosse o dono! Quem você pensa que é para se meter entre nós?
Blindado contra as provocações de Cícero, Franklin manteve a voz calma e firme:
— Pense o que quiser. Mas me responda com sinceridade: você realmente acha que a Eduarda quer olhar para a sua cara agora? Você sofreu algum apagão e esqueceu tudo o que fez com ela? Com que coragem você vem atrás dela? Se eu fosse você, já teria tido a decência de deixá-la em paz e nunca mais incomodá-la.
Ao ouvir a dura repreensão de Franklin, Cícero ficou sem resposta. Sabia que não tinha argumentos para se defender. Tudo o que Franklin dizia era verdade. Ele a machucou de maneira cruel e desencadeou toda a tragédia que veio depois. Se não tivesse cometido tantos erros, ninguém teria munição para humilhá-lo daquela forma.
O inferno em que vivia era obra das próprias mãos. Não havia desculpa possível.
Mas, ainda assim, isso não dava a Franklin o direito de tomar Eduarda para si.
Cícero exigiu:
— Passe o telefone para ela. Eu quero falar com ela, não com você.
Franklin soltou uma risada seca:
— Você realmente acha que ela estaria disposta a atender a sua ligação? Não percebe o quanto isso é patético?
Cícero sabia perfeitamente qual seria a reação de Eduarda naquele momento, mas preferia viver na negação a encarar os fatos.

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