— O divórcio ainda não foi oficializado no cartório, então ela continua sendo minha esposa! É você quem devia se lembrar disso!
Cícero apertava as mãos com tanta força que os ossos chegavam a estalar. Ele usava todas as forças que ainda tinha para não explodir.
Precisava suportar aquela realidade brutal que se recusava a aceitar, inclusive o fato de todos ao seu redor insistirem em dizer que ele e Eduarda já estavam divorciados e que não tinham mais nada a ver um com o outro.
No fundo, enquanto o processo legal não estivesse concluído até o último detalhe, ele se agarrava à ideia de que eles ainda não tinham se separado de verdade.
E, se ainda não estivessem completamente separados, então ainda existia uma pequena chance de recomeçar e voltar a ficar com ela.
Cícero se apegava a essa ideia de forma quase doentia para continuar de pé e não ser esmagado pelas rejeições frias e sucessivas de Eduarda.
Eduarda não podia simplesmente abandoná-lo. Ele se recusava a acreditar nisso.
Percebendo o raciocínio desesperado de Cícero, Franklin disparou:
— Você pode, por favor, acordar para a realidade? Isso a que você está se agarrando não passa de uma piada. A Eduarda já assinou o acordo de divórcio. Mesmo que ainda falte alguma formalidade jurídica, o fim de vocês é inevitável.
Franzindo a testa, claramente irritado, Franklin continuou:
— Por que você simplesmente não deixa a Eduarda em paz? Ela já perdeu tempo demais com você, já sofreu demais por sua causa. Você vai continuar insistindo em não soltá-la? Por que insiste em agir de um jeito tão cruel?
Franklin sentia um desprezo profundo e silencioso por cada uma das atitudes de Cícero.
Com uma voz sombria e pesada, Cícero rebateu:
— Você não entende? O motivo pelo qual você quer ficar com ela é exatamente o mesmo motivo pelo qual eu quero trazê-la de volta para mim.
Franklin soltou uma risada curta pelo nariz, um som que, aos ouvidos de Cícero, veio carregado de sarcasmo e deboche sem fim.
Franklin respondeu com dureza:
— Você acha mesmo que tem o direito de falar em paixão? Acha que tem alguma dignidade para pronunciar a palavra amor perto dela? Você por acaso esqueceu quem foi que a empurrou para esse abismo? Você tem noção de quão crítico foi o estado da Eduarda? O médico chegou a me alertar que ela podia morrer a qualquer momento. Você faz ideia de quantas vezes ela precisou ser reanimada na UTI? Como você tem a coragem de aparecer agora, justamente quando ela finalmente acordou e começou a reconstruir a própria vida? Tudo o que causou a ela ainda não foi suficiente? Você só vai se dar por satisfeito quando a levar à morte?!

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