No dia em que foi abandonada pelo noivo, Antônia Silveira sofreu um acidente de carro.
Para piorar a situação, enquanto esperava no sinal vermelho, o rádio do carro transmitiu um trecho de audiolivro no qual vários vilões tinham exatamente os mesmos nomes dos seus quatro irmãos azarados.
O irmão mais velho, Cesar Silveira, presidente do Grupo Silveira, enlouqueceu e passou a enfrentar o protagonista da história com uma obstinação cega. Apaixonou-se pela mocinha do livro, gastando fortunas por ela e levando a cunhada ao ponto de perder o bebê e pedir o divórcio por tamanha insensatez.
No fim, a empresa faliu, ele acabou na rua, foi espancado pelos capangas do protagonista e morreu de fome na calçada.
Caio Silveira tornou-se um diretor renomado, mas fez de tudo para dificultar a vida da protagonista. Foi perseguido por haters na internet, perdeu o emprego e acabou tirando a própria vida em meio à depressão.
Pietro Silveira abriu um estúdio de games e chegou a ser um novo rico do circuito empresarial, mas enlouqueceu e sequestrou a protagonista, mantendo-a presa em uma mansão, até ser preso e virar caso de polícia.
Leonardo Silveira foi ainda mais longe: guiando seu carro de corrida premiado na Fórmula 1, tentou matar o casal protagonista. O mocinho ficou gravemente ferido e Leonardo se jogou no rio, tirando a própria vida.
Ah, o protagonista em questão era justamente Fernando Martins, o homem que acabara de romper o noivado com Antônia.
Distraída com tudo isso, Antônia perdeu o controle do carro, bateu contra o guard-rail e despencou da ponte sobre o mar.
Ao recobrar a consciência, sentiu uma mão apertando seu pescoço—
— Mais uma tentando se transformar nela para se aproximar de mim? Ninguém te avisou das consequências de brincar com fogo?
— Sai daqui agora mesmo ou eu acabo com a sua carreira. Escolha.
Antônia Silveira mal conseguia respirar, forçou os olhos a se abrir e viu um rosto frio bem diante do seu, envolto por um aroma cortante de vodca.
Era ele...
Atônita, ela encarou o homem elegante de terno e, sem pensar, o esbofeteou com toda a força:
— Fernando Martins? Você enlouqueceu? Por que está me estrangulando?
O tapa não teve piedade, e metade do rosto de Fernando ficou imediatamente rubra.
O álcool em seu olhar pareceu dissipar por um instante; ele claramente não esperava que Antônia fosse reagir dessa forma. Os olhos finos e marcantes se fixaram nela, tomados por um vermelho intenso.
Antônia se assustou de novo, achando a atitude dele estranha.
O rosto era o mesmo de sempre, mas parecia ter envelhecido vários anos em poucas horas. O cabelo, antes caído suavemente sobre a testa, agora estava penteado para trás, do mesmo jeito do irmão mais velho.
Parecia um homem de quase trinta anos.
Ainda assim, continuava muito bonito: o nariz reto, os óculos de armação dourada — um charme de intelectual decadente.
Voltando a si, ela afastou a mão dele e, franzindo a testa, respondeu hesitante:
— Você bebeu demais? Foi no King & Lee, ali na porta da minha faculdade... Fernando Martins, o que você quer afinal? Está parecendo um lunático.
Fernando a encarou, os olhos ficando subitamente vermelhos, como se fossem sangrar.
Nesse momento, passos foram ouvidos do lado de fora.

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