Capítulo 3
Dominic
Assim que as portas do elevador executivo se abriram no vigésimo andar, fui recebido por Marcelo. Ele estava parado no meio do corredor com uma xícara de café na mão e uma expressão que misturava um profundo alívio por eu ter aparecido com uma irritação latente de quem teve a manhã completamente arruinada.
— No escritório — ele disse, sem nem me dar bom-dia, apenas apontando a pasta de couro preta que segurava na direção da minha sala como se eu fosse um visitante perdido que não conhecesse o próprio local de trabalho.
— Bom dia para você também. Adoro o seu entusiasmo contagiante logo cedo — ironizei, ajustando os punhos do meu terno enquanto passava por ele.
Segui pelo corredor sem esperar por uma tréplica. A verdade é que a presença de Dona Olívia Scott ali era um evento de anomalia catastrófica. Minha avó nunca vinha à sede da empresa. Nunca. Ela morava na propriedade da família no interior, a duas horas de distância, e só dava o ar de sua graça em ocasiões extremamente raras: aniversários de arromba, datas de significado histórico para o império da família ou eventos beneficentes onde podia ostentar suas jóias e fingir que gostava de pessoas.
Ver o carro dela estacionado na vaga da diretoria era o equivalente corporativo a ver um meteoro cruzando o céu de uma quinta-feira qualquer. Estranho. Profundamente estranho. E, no meu caso, um péssimo sinal.
Ao me aproximar da porta da minha sala, uma pontada involuntária de culpa cutucou meu peito, embora eu odiasse admitir. Quando meus pais morreram naquele acidente de carro durante a viagem de comemoração de vinte anos de casamento, o mundo ruiu. Eu tinha apenas dezessete anos e nenhuma ideia de como gerir a maior empresa de tecnologia do estado.
Minha irmã caçula, por outro lado, foi mantida a quilômetros de distância de toda a sujeira corporativa. Ela estudava artes plásticas e tinha sensibilidade demais para ser jogada no ninho de cobras de reuniões de acionistas e planilhas de lucro. Eu fiquei com os números; ela ficou com a liberdade.
Respirei fundo e empurrei a porta de madeira maciça.
Minha avó estava de costas para a entrada, emoldurada pela vista panorâmica da cidade através do vidro fumê do vigésimo andar. A postura era irretocável: coluna ereta, ombros firmes e o queixo levemente erguido. Mesmo aos setenta e poucos anos, vestida em um conjunto de alfaiataria impecável, ela exalava a autoridade de um general prestes a mandar tropas para a guerra. Ela simplesmente recusava a fraquejar.
— Vovó — estampei no rosto o melhor e mais charmoso sorriso do meu repertório de filho da mãe convencido enquanto caminhava em sua direção. — Por que não está sentada? A viagem foi longa, a Sra. não deveria estar descansando as pernas?
— Eu ainda consigo me manter de pé perfeitamente sozinha, Dominic. Não sou uma velha decrépita — ela respondeu sem nem se virar imediatamente, o tom de voz seco e afiado como uma lâmina de barbear.

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