No consultório médico, Leandro, Lucas, Eduardo e o psiquiatra de Cecília estavam presentes. O ambiente estava pesado, carregado de tensão.
— Pelo que podemos observar, o estado psicológico de Cecília é extremamente grave. Lucas, com base no que você relatou, minha avaliação inicial é que Cecília está sofrendo de amnésia psicogênica, possivelmente relacionada à depressão severa ou ao impacto do tumor cerebral que ela tem.
O psiquiatra desviou o olhar para Eduardo, questionando:
— Dr. Eduardo, como especialista em tumores, qual é a sua opinião?
Eduardo pigarreou antes de responder:
— Embora eu seja oncologista, o caso da Cecília é muito complexo. Além disso, minha especialidade não é neurologia. Com o que temos até agora, é difícil determinar se a perda de memória dela foi causada pela depressão ou pelo tumor. Não posso dar um diagnóstico definitivo.
Ao ouvir isso, Leandro olhou diretamente para Lucas com uma expressão rígida e autoritária.
— Lucas, o que você pretende fazer agora? — Leandro cruzou os braços, a voz carregada de seriedade e um toque de imposição. — Cecília não pode sofrer mais nenhum tipo de abalo. Para ser sincero, acho que essa perda de memória talvez seja algo positivo. Quanto ao tumor...
Leandro franziu o cenho, o olhar cheio de determinação.
— Não importa o que custe, eu vou fazer de tudo para curar Cecília!
O tumor no cérebro de Cecília, pela sua aparência, tinha grandes chances de ser maligno—um câncer cerebral.
— O tumor está localizado em uma área extremamente delicada. — Eduardo analisava os exames de imagem, virando-os de um lado para o outro com o rosto cada vez mais tenso. — Se optarmos pela cirurgia, o risco será altíssimo. É muito provável que Cecília não consiga sair viva da mesa de operação.
— E se não operarmos? — Lucas perguntou, seus olhos negros e profundos fixos em Eduardo. — Quanto tempo ela ainda tem?
— Que merda de pergunta é essa? — Leandro se levantou abruptamente, sua raiva explodindo enquanto avançava na direção de Lucas.
— Calma! Calma! Não faça isso!
— Dr. Leandro, por favor, mantenha a calma! Estamos apenas discutindo o caso!
Eduardo e o psiquiatra se apressaram em conter Leandro, que estava furioso.
Lucas continuava de cabeça baixa. Ele não reagiu nem um pouco à explosão de Leandro.
Leandro o encarou com olhos cheios de desprezo.
— Cecília abriu mão de tudo por você, Lucas. Ela teve um filho fora do casamento, sem sequer receber o mínimo de respeito. Se você tivesse um pingo de consciência, não a abandonaria nesse momento!
— Aquele garoto nem é…
— Eduardo. — Lucas interrompeu Eduardo, levantando os olhos para encarar Leandro. — O que acontece entre mim e Cecília não é da sua conta. Só porque ela te chama de irmão, você acha que tem o direito de controlar a vida dela? A família Amorim não tem moral para isso.
— O quê? — Leandro cerrou os dentes, a raiva transbordando em sua expressão. — A família Amorim a criou! Como é que você tem coragem de dizer que não somos dignos?
Lucas o encarou friamente, seus olhos cheios de desprezo.
— Leandro, a amnésia dela é conveniente. Agora, Cecília só se lembra do bem que vocês fizeram a ela. Para você, isso é um benefício, né?
Leandro franziu a testa, seu olhar para Lucas tornou-se confuso e levemente desconfiado.
Lucas não disse mais nada. Ele ajeitou o paletó com um movimento casual e abriu a porta do consultório para sair.
Eduardo trocou um olhar breve com o psiquiatra antes de seguir Lucas para fora da sala.
…
No terraço do hospital, o vento frio cortava como lâminas. Eduardo enfiou as mãos nos bolsos do jaleco, encolhendo o pescoço para se proteger do frio.
— Você vai mesmo se casar com a Cecília? — Eduardo perguntou, olhando para Lucas.
Lucas segurava um cigarro entre os dedos longos. Ele levou a ponta aos lábios e deu uma tragada profunda antes de responder:
Do outro lado da linha, havia apenas silêncio.
Valentina fechou os olhos novamente, abafando um bocejo.
— Quem está falando?
A noite estava silenciosa como um túmulo, e o interlocutor não dizia palavra alguma.
Será que foi engano?
Ainda tomada pelo sono, Valentina desligou o celular e o deixou de lado, virando-se para voltar a dormir.
…
Na rua em frente à casa de Valentina, um Maybach preto estava estacionado com as luzes de emergência piscando.
No banco do motorista, um homem segurava o celular com a mão apoiada no volante. Seus dedos estavam tão tensos que ficaram brancos.
A luz suave do poste na calçada entrava pela janela do carro, iluminando parcialmente o rosto do homem. Suas feições angulosas estavam envoltas em sombras, mas seus olhos estreitos estavam fixos na tela apagada do celular.
As emoções em seus olhos eram intensas, uma mistura furiosa de obsessão, arrependimento e tristeza.
No entanto, no final, tudo foi silenciado, reduzido a uma calma mortal.
…
Na manhã seguinte, uma notícia explodiu na internet:
“A famosa atriz Cecília e seu namorado de longa data estão prestes a se casar!”

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