Na Villa Aurora.
Cecília, para organizar os detalhes do casamento, teve alta do hospital com a autorização de Leandro.
Nos últimos dias, Tatiana também estava hospedada na Villa Aurora, ajudando a cuidar de Gabriel e a coordenar os preparativos da cerimônia.
Na última vez que Cecília teve uma piora no estado de saúde, Leandro viajou ao exterior e gastou uma fortuna para conseguir um remédio experimental avaliado em milhões. Foi esse remédio que a trouxe de volta à vida, quando já não havia mais esperança.
Depois de começar a tomar o medicamento, Cecília apresentou uma melhora visível. Sua saúde estava mais estável, e a cor de sua pele havia voltado a ficar rosada.
Lucas, que nos últimos dias estava viajando a trabalho, ainda assim recebia chamadas de vídeo diárias de Cecília, sempre no mesmo horário.
Por causa dos danos neurológicos e do câncer cerebral, Cecília tinha lapsos de memória e alterações de humor. Lucas, na maior parte do tempo, apenas a acompanhava e evitava contrariá-la. Porém, quando estava muito ocupado, não atendia todas as ligações.
Cecília, no entanto, parecia curtir o ato de vigiar Lucas e se sentia satisfeita com isso.
Hoje, a equipe da empresa de casamentos trouxe amostras de doces para a cerimônia, e Cecília queria que Lucas a ajudasse a escolher.
Ela ligou novamente para Lucas por chamada de vídeo, mas dessa vez ele não atendeu.
Tentou uma segunda e uma terceira vez, mas Lucas continuou sem responder.
Quando Cecília estava prestes a insistir novamente, Tatiana segurou sua mão, impedindo-a de continuar.
Cecília franziu o cenho e olhou para a mãe:
— Mãe, o que você está fazendo?
— Cecília, você não pode pressionar tanto o Lucas.
Tatiana a encarou com um olhar sério, o tom de voz firme e grave.
— Lucas é um homem extremamente forte e orgulhoso. Você não pode abusar do fato de que ele te ama para agir de forma tão impulsiva.
Cecília franziu ainda mais o cenho.
— Eu só quero que ele participe de cada detalhe do casamento.
— Mas ele também tem a própria carreira. — Tatiana respondeu com calma. — Homens como Lucas precisam de espaço, de respeito. Se você ficar vigiando ele o tempo todo, o que as pessoas vão pensar? Isso pode prejudicar a imagem dele.
Cecília apertou os lábios e manteve a testa franzida, sem responder.
— Gabriel. — Com um tom sutil e voz baixa, ela o chamou enquanto se aproximava. — Já faz quatro dias que você não vê sua mãe Valentina, certo?
Gabriel parou por um momento o que estava fazendo e respondeu:
— Hoje é o quinto dia, na verdade.
— E você está triste?
— Claro que estou. — Gabriel largou as peças do quebra-cabeça e respondeu, com a voz abafada de tristeza. — Meu pai brigou com a mamãe quando estávamos fora. No avião, ele disse que, a partir de agora, quando eu a visse, tinha que chamá-la de tia.
Os olhos de Tatiana brilharam com satisfação ao ouvir isso.
— Na verdade, Gabriel, seu pai fez isso pensando no que era melhor para você.
— Melhor? Nada disso! — Gabriel bufou, cruzando os braços. — Minha mãe foi embora! E a culpa é do meu pai! Ele não sabe falar bonito, só responde uma ou duas palavras quando a mamãe fala um monte de coisas. Claro que ela ficou irritada e foi embora! Eu quis ir atrás dela, mas ele não deixou.
Gabriel foi ficando mais agitado conforme falava. Os olhos começaram a se encher de lágrimas enquanto ele lembrava da cena daquele dia.
Desde então, todas as noites ele sonhava com a mesma coisa: sua mãe segurando um novo bebê nos braços. Ela era tão carinhosa e gentil com o bebê que Gabriel sentia o coração apertado.

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