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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 186

Demorou um pouco para a ligação ser atendida.

— Tatiana?

Ao ouvir a voz rouca e grave do outro lado da linha, a respiração de Tatiana ficou presa. Ela apertou o celular com força, sentindo a tensão percorrer seu corpo.

O homem, ao perceber o silêncio dela, insistiu com urgência:

— Tatiana, eu sei que é você. Se você está me ligando, é porque tem algum problema. Me diga o que está acontecendo. Não precisa se preocupar, o que você precisar, eu faço!

Na mente de Tatiana, flashes de uma noite de tempestade surgiram. Ela viu Henrique caindo do segundo andar, o som ensurdecedor da chuva misturado ao caos.

Ela respirou fundo, mas sua voz ainda tremia quando respondeu:

— Preciso que você me ajude com mais uma coisa. Se... Se der certo, eu te pago mais uma vez.

— Tatiana, entre nós dois, não se fala de dinheiro.

— A única coisa que eu posso te oferecer é dinheiro! — Tatiana rangeu os dentes, tentando conter a irritação que crescia dentro dela. — Dedé, eu nunca teria te procurado de novo se não estivesse sem saída. Não me force a implorar.

Do outro lado, o homem ficou em silêncio por alguns segundos, mas por fim respondeu com um suspiro pesado:

— Está bem. Eu faço o que você pedir. Me diga o que precisa.

Do lado de fora, o céu rugia, e um raio iluminou o quarto de Tatiana por um breve instante, refletindo em seu rosto impecavelmente cuidado. Seus olhos brilhavam com uma intensidade sombria enquanto ela pronunciava, com uma voz baixa e cortante:

— Quero que você mate outra pessoa para mim.

Uma chuva repentina caiu durante a noite, derretendo os últimos resquícios de neve da cidade e trazendo o frescor da primavera. Quando o sol começou a despontar no horizonte, o serviço meteorológico anunciou que o dia seria de céu limpo.

Marcos já estava de pé às seis da manhã, saindo para sua corrida matinal.

Às sete, ele voltou para casa, suado, e encontrou Valentina descendo as escadas. Ela estava com uma maquiagem leve, que realçava ainda mais seu brilho.

Marcos arqueou as sobrancelhas, observando-a.

— Valentina, você parece estar de ótimo humor hoje, hein?

— Estou. — Valentina respondeu sem rodeios. — Só de pensar que hoje vou finalmente me livrar do meu casamento, já me sinto bem melhor.

— Agora sim, você está falando minha língua! — Marcos riu, subindo apressado as escadas. — Vou tomar um banho rápido. Depois te levo ao cartório.

— Não precisa, eu posso dirigir até lá sozinha.

— Valentina, você está bem? Está ferida em algum lugar?

Valentina demorou alguns segundos para se recuperar. Ainda assustada, ela balançou a cabeça, indicando que estava bem.

— Que bom! — Marcos exclamou, fechando os olhos, sentindo o alívio tomar conta de seu corpo.

Por pouco, muito pouco, o caminhão não atingiu o carro deles. Pensar no que poderia ter acontecido deixou Marcos com um nó na garganta.

Enquanto os dois ainda estavam processando o que acabara de acontecer, o motorista do caminhão tombado começou a sair pela janela estilhaçada da cabine.

Ele vestia roupas pretas, um boné escuro e uma máscara. De forma calculada, ele caminhou diretamente em direção ao Range Rover.

Quando chegou perto o suficiente, apontou uma arma para Valentina através do para-brisa.

O som de um disparo ecoou no ar.

O vidro do para-brisa se estilhaçou.

Antes que Valentina pudesse entender o que estava acontecendo, ela sentiu braços fortes a puxarem para um abraço protetor.

O som do tiro parecia ensurdecedor, mas, ao mesmo tempo, o mundo ao redor dela ficou silencioso, como se o tempo tivesse parado. Tudo desapareceu em um instante.

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