Valentina não demonstrou nenhuma emoção e passou direto por eles, caminhando em direção ao elevador.
Gabriel continuava atrás dela, chorando e gritando sem parar.
— Mamãe! Mamãe, não vai embora! Mamãe, tá doendo muito… Por favor, não me deixa, mamãe!
As pessoas que estavam esperando o elevador ouviram os gritos e começaram a olhar para trás, curiosas.
Vendo Gabriel chamar Valentina enquanto chorava, os olhares se voltaram para ela. Valentina, no entanto, permaneceu indiferente, como se não tivesse ouvido nada.
— A criança tá machucada, chorando desse jeito, e a mãe nem se comove? — Murmurou uma senhora idosa.
— Provavelmente se divorciaram, dá pra ver que ele tá com o pai. — Respondeu a filha dela com a voz baixa.
— Divorciaram e a mãe não cuida mais da criança? Que tipo de mulher tem um coração tão frio assim?
Valentina ouviu os comentários ao redor, mas não sentiu absolutamente nada.
Gabriel tinha uma mãe, e essa mãe não era ela. Não cabia a Valentina sentir pena ou se preocupar.
O elevador chegou. Valentina entrou sem hesitar. Outras pessoas também entraram, e ela se moveu para o canto, afastando-se dos olhares curiosos.
As portas se fecharam, bloqueando o som do choro de Gabriel.
Gabriel ficou parado olhando para a porta fechada do elevador. Aos poucos, seus soluços diminuíram.
Mamãe realmente não o amava mais.
Ele estava machucado, com sangue escorrendo da mão, e ainda assim ela sequer olhou para ele.
Gabriel abaixou a cabeça, e as palavras de Cecília ecoaram em sua mente: “Sua mamãe Valentina já tem o próprio bebê. Ela nunca mais vai te amar.”
Os olhos de Gabriel, vermelhos de tanto chorar, começaram a brilhar com um ressentimento profundo.
…
Do lado de fora do quarto do hospital, Valentina levantou a mão e bateu na porta.
Renata veio abrir e, ao vê-la, sorriu calorosamente.
— Valentina! Entra, entra!
— Renata. — Valentina retribuiu o sorriso de leve e entrou no quarto.
Marcos estava sentado na cama, jogando no celular com atenção total.
— Valentina, senta aí. Eu só vou terminar essa partida.
— Valentina, você cozinha muito bem. — Marcos comentou enquanto comia. — Você aprendeu sozinha?
— Sim. — Valentina respondeu com um sorriso discreto. — Quando Gabriel era pequeno, ele tinha muitos problemas no estômago e precisava de uma alimentação bem específica. Eu comprei livros de culinária e assisti a vários vídeos até aprender.
Ao ouvir isso, Marcos bufou, descontente.
— Gabriel teve sorte. Pena que ele é um ingrato. Um verdadeiro traidorzinho.
Valentina apertou os lábios e não respondeu.
Ela se lembrou do momento em que Gabriel chorava, chamando-a de mamãe, enquanto ela entrava no elevador. Uma sensação estranha tomou conta do coração dela.
Por cinco anos, ela tratou Gabriel como se fosse seu próprio filho. Amou-o incondicionalmente e cuidou dele com todo o carinho que tinha. Nunca esperou ser recompensada por isso, mas também nunca imaginou que, em poucos meses, eles se tornariam completos estranhos.
Era surpreendente como as relações humanas podiam ser tão frágeis, incapazes de resistir a qualquer provação.
…
Valentina ficou conversando com Marcos por um tempo antes de se levantar para ir embora.
Ela e Marcos haviam tirado alguns dias para descansar, mas isso significava que o trabalho estava acumulando.
Embora Álvaro já tivesse explicado a situação ao departamento de patrimônio cultural, Valentina sentia que não era certo atrasar o projeto por razões pessoais. Ela não queria que seu trabalho fosse prejudicado.

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