Eduardo pediu demissão do hospital da família Amorim e transferiu-se diretamente para o hospital central.
O hospital da família Amorim enfrentava uma crise sem precedentes após o escândalo envolvendo Leandro. A reputação foi gravemente abalada, e os acionistas começaram uma disputa ferrenha pelo controle.
Eduardo, um dos oncologistas mais renomados de Cidade B, havia aceitado trabalhar no hospital da família Amorim por um único motivo: Lívia.
Mas agora, com tudo que Leandro havia causado, Lívia jamais poderia voltar a trabalhar naquele lugar. Para Eduardo, também não fazia mais sentido permanecer ali.
…
Com o fim da temporada de chuvas, o ar úmido tornou-se mais leve, e as temperaturas em Cidade B subiam gradualmente.
Em uma manhã ensolarada, exatamente uma semana após a cirurgia, Lívia finalmente despertou.
O momento de seu despertar foi peculiar.
Simão e Mariana haviam passado a semana inteira ao lado dela, sem sair do hospital nem por um minuto. Porém, na noite anterior, Mariana, exausta, acabou adoecendo com febre.
Com medo de transmitir algo para Lívia, ela decidiu ir para casa com Simão para descansar e se recuperar. Assim, coube a Eduardo a tarefa de ficar de vigia.
E foi Eduardo quem Lívia viu ao abrir os olhos pela primeira vez.
Mas então, algo ainda mais surpreendente aconteceu: Lívia havia perdido a memória. Ela não se lembrava de ninguém, exceto de Eduardo, a primeira pessoa que viu ao despertar.
Quando receberam a notícia de que Lívia havia acordado, Mariana e Simão correram para o hospital.
Mariana, ainda usando máscara por causa da febre, parou na porta do quarto, com medo de se aproximar.
Simão entrou no quarto, aproximou-se da cama e falou:
— Lívia, sou eu, seu pai. Estou aqui.
Mas Lívia não reagiu. Seus grandes olhos brilhantes permaneciam fixos em Eduardo, como se ele fosse a única pessoa no mundo. O olhar encantado dela fez Simão sentir uma pontada de inveja.
Franzindo a testa, ele perguntou a Eduardo:
— O que está acontecendo com a Lívia?
Eduardo suspirou profundamente antes de responder:
— Ela perdeu a memória.
— Valentina, me desculpe. Eu sou mãe, e para mim, nada é mais importante do que a saúde e a segurança da minha filha.
Os cílios de Valentina tremularam, e ela assentiu lentamente.
— Eu entendo, tia Mariana.
— Por favor, não me culpe. — Mariana deu um passo à frente e segurou as mãos de Valentina com força. — Lívia perdeu a memória. Ela não se lembra de mais ninguém, apenas do Eduardo. Talvez isso seja... O destino.
A garganta de Valentina apertou. Ela queria responder “sim”, mas parecia incapaz de falar.
Seus olhos começaram a arder, e lágrimas silenciosas escorreram enquanto ela baixava a cabeça.
— Eu sinto muito. — A voz de Mariana tremeu. — Você é uma boa menina. Se um dia Lívia recuperar a memória e quiser retomar o contato com você, eu não vou interferir. Mas, se ela nunca se lembrar de você...
— Eu entendi. — Valentina respondeu com firmeza, assentindo. — Tia Mariana, eu entendi o que a senhora quer dizer.
Mariana chorava enquanto dava um último abraço apertado em Valentina. Depois, virou-se e foi embora sem olhar para trás.
Valentina permaneceu ali, imóvel por alguns segundos, antes de lentamente se agachar. Ela envolveu o próprio corpo com os braços, escondendo o rosto no vão dos cotovelos enquanto suas lágrimas caíam silenciosamente.

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