— Você tem algo para me dizer?
— Tenho. — Valentina respondeu, tirando uma pequena carteira do bolso da bolsa. Ela pegou um cartão e o empurrou em direção a Eduardo. — Aqui tem um milhão.
Eduardo lançou um olhar breve para o cartão bancário e perguntou, confuso:
— E por que você está me dando isso?
— A Lívia pode não se lembrar mais de mim, mas ela ainda é minha amiga. Considere isso como um presente meu para ela. Quero que você guarde para ela.
Eduardo não pegou o cartão. Ele franziu o cenho enquanto a observava atentamente.
— Você está planejando deixar Cidade B, né?
— Sim.
— E sua situação com o Lucas? Vocês já resolveram o divórcio?
— Ainda não. — Valentina respondeu com a voz calma. — Você já sabe que estou grávida, então vou ser direta. Quero primeiro dar à luz ao bebê. Depois, espero dois anos. Se, nesse período, o Lucas mudar de ideia, volto e resolvo o divórcio.
Eduardo estreitou os olhos, preocupado.
— E se o Lucas não aceitar o divórcio?
— Então, eu vou processá-lo. — Valentina respondeu enquanto passava a mão no próprio ventre. — Eu sei que enfrentar o Lucas na justiça não vai ser fácil, mas preciso tentar.
Eduardo suspirou, pressionando os lábios.
— Eu prometi à Lívia que manteria sua gravidez em segredo, e vou cumprir. Mesmo sendo amigo do Lucas, sei o quanto você sofreu nesse casamento. Não vou ser o tipo de pessoa que te entrega. Se essa é a sua decisão, te desejo toda a sorte. Caso precise de ajuda, me chame. Farei o possível para te apoiar.
— Já é uma grande ajuda você esconder isso do Lucas. — Valentina respondeu, olhando-o nos olhos. — Eu confio em você. Por isso, se a Lívia escolher você, espero que você nunca a decepcione.
— Eu nunca faria isso. — Eduardo garantiu com firmeza.
— Então, aceite o cartão. — Valentina insistiu. — Se vocês acabarem juntos, considere isso como meu presente de casamento para ela. Aí você encontra um jeito de entregar o dinheiro para ela, sem mencionar meu nome.
— Você está grávida e sozinha. Guarde esse dinheiro para você. Não se preocupe com a Lívia. Eu cuidarei dela.
— Aceite. — Valentina manteve o tom determinado. — É a única forma de eu ficar tranquila.
Eduardo suspirou, vencido.
…
Cinco minutos depois, Valentina viu Eduardo empurrando Lívia em uma cadeira de rodas pelo jardim.
Lívia estava sentada, coberta por uma manta leve. Usava um gorro de lã rosa que escondia sua cabeça raspada, resultado da cirurgia. Seu cabelo, provavelmente, só voltaria a crescer na primavera seguinte.
Eduardo parou a cadeira de rodas sob a sombra de uma grande árvore.
Valentina aproximou-se lentamente. Quando Lívia a viu, seus olhares se encontraram.
As lágrimas escorreram pelo rosto de Valentina de forma incontrolável.
Lívia franziu as sobrancelhas, confusa.
— Moça, por que você está chorando?
Valentina rapidamente enxugou as lágrimas com a mão e forçou um sorriso.
— Sou amiga do Eduardo. Fiquei sabendo que você está hospitalizada e resolvi vir te ver.

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