— Não encontraram nada, então deixa pra lá. — Marcos tentou tranquilizá-la. — Você já saiu de lá, agora o mais importante é cuidar dos bebês. O foco é trazer essas duas meninas ao mundo com saúde.
Valentina sorriu levemente.
— E se forem dois meninos?
Marcos franziu o cenho, sério.
— Não fala besteira.
Valentina não conseguiu conter o riso diante da reação dele.
…
No escritório de advocacia em Cidade B, Gustavo bateu à porta do escritório de Lucas.
— Entre.
Gustavo entrou, fechou a porta atrás de si e caminhou até a mesa, colocando um pequeno cofre metálico sobre ela.
— Dr. Lucas, encontramos o objeto.
Lucas lançou um olhar para o cofre.
— Está tudo resolvido?
— Sim. Apesar de a Ana ter acompanhado toda a inspeção, a pedra estava debaixo da cama da Valentina. Um dos técnicos foi rápido e conseguiu pegar a pedra antes que ela percebesse.
Lucas estendeu a mão para pegar o cofre, mas Gustavo o alertou imediatamente:
— Dr. Lucas, essa pedra tem alta radiação. Por favor, tenha cuidado.
— Eu sei.
Lucas abriu o cofre. Dentro, a pedra energética, de um tom cinza profundo e um brilho frio, exalava uma aura sombria. Ele a analisou por alguns instantes antes de fechar o cofre novamente.
Naquela manhã, Lucas havia ido pessoalmente à Villa Monteverde para conversar com Gabriel. O menino, influenciado por Tatiana, não fazia ideia do perigo que a pedra representava. Quando Lucas explicou que aquilo estava prejudicando Valentina, Gabriel ficou apavorado e cheio de arrependimento.
— Dr. Lucas, me permita perguntar. Se a Valentina já suspeita da Tatiana, por que o senhor ainda está escondendo isso? — Gustavo questionou, confuso.
— Foi o Gabriel quem colocou a pedra debaixo da cama da Valentina. — A voz de Lucas era fria e firme. — Se a Valentina souber disso, você acha que ela ainda vai aceitar o Gabriel?
Gustavo finalmente entendeu. Lucas estava protegendo a imagem de Gabriel aos olhos de Valentina.
Lucas estreitou os olhos, sua expressão ficando ainda mais sombria.
— Esse tipo de pedra é combatido no país há anos. Se a Tatiana conseguiu colocar as mãos nela, o Dedé certamente teve um papel nisso.
Desde que Ademir ficou paralítico, seu temperamento havia se tornado cada vez mais violento. Nas últimas semanas, os ataques físicos se tornaram mais frequentes. Tatiana sentia que não conseguiria suportar muito mais tempo naquela mansão.
Ela pegou o celular e abriu a agenda de contatos. Depois de hesitar por alguns segundos, discou para um número.
Quando a ligação foi atendida, sua voz saiu trêmula e embargada pelo choro:
— Túlio, me desculpe... Eu estou te incomodando?
Do outro lado da linha, Túlio percebeu imediatamente que algo estava errado.
— Sua voz está estranha. O que aconteceu? — Ele perguntou, preocupado.
Tatiana começou a chorar mais intensamente.
— O Ademir... Ele me bateu de novo. Eu não sei para quem mais pedir ajuda. Túlio, por favor, me salva...
Dez minutos depois, Túlio chegou ao hospital.
Tatiana estava sentada no jardim, ao lado do pronto-socorro, com os olhos inchados de tanto chorar. Quando ela viu Túlio, levantou-se imediatamente.
Túlio caminhou rapidamente até ela e, ao vê-la tão vulnerável, não conseguiu conter a compaixão. Ele a puxou para um abraço apertado enquanto Tatiana chorava sem parar em seu ombro.
Do outro lado da rua, dentro de uma van estacionada, uma câmera de alta resolução registrava cada segundo daquela cena.

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