— Não importa. — Valentina respondeu com a voz calma. — Se eu tive coragem de voltar a Cidade B, já estou preparada para, cedo ou tarde, encontrar Lucas.
Eduardo a encarou, surpreso.
— Você está dizendo que pretende... Com o Lucas...
— A primeira coisa será entrar com o pedido de divórcio. — Valentina virou-se na direção de Eduardo, seus olhos firmes. — Você sabe que, agora, eu tenho uma pessoa importante ao meu lado. Lucas pode não ser capaz de resistir.
Eduardo apertou os lábios, refletindo por um momento, até que finalmente perguntou:
— Por quatro anos, eu sempre tive essa dúvida. Agora que você me procurou, não posso mais evitar: quem, afinal, é essa pessoa influente que tem te ajudado?
Valentina respondeu apenas com um sorriso enigmático, sem dar explicações.
Eduardo soltou uma risada leve e resignada.
— Entendi. Por causa da minha relação com o Lucas, faz sentido que você não confie em mim completamente.
— Não é questão de não confiar em você. — Valentina parou de andar, virou-se para ele e falou com seriedade. — Existem coisas que é melhor você não saber. Já é difícil o suficiente para você estar entre Lívia e Lucas, né?
Eduardo ficou em silêncio por um momento, mas logo curvou os lábios em um sorriso.
— Você está certa.
Os dois chegaram ao túmulo do filho de Valentina.
Valentina se ajoelhou diante do pequeno túmulo, que era significativamente menor do que os outros ao seu redor. Ela levantou a mão, tocou gentilmente o mármore frio e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Aquele ali ao lado é o túmulo do avô de Lucas. — Eduardo comentou, enquanto olhava para Valentina, que baixava a cabeça e chorava silenciosamente. — O avô era um homem muito bondoso. Ele adorava o Lucas quando era pequeno. Seu bebê está ao lado dele, então ele não se sentirá sozinho ou com medo.
Valentina manteve a mão no túmulo, mas nele não havia sequer uma foto do filho.
— Eu... Eu nem sei como ele era. — Valentina falou, a voz trêmula. — Toda vez que vejo o sorriso radiante de Marina, não consigo evitar imaginar se ele teria o mesmo rosto, se seria tão alegre e brincalhão como ela. Mas... Não existe “se”. Eu fui fraca. Decidi ficar com ele, mas não consegui protegê-lo. Será que ele me culpa? Será que ele me culpa por ter protegido apenas a irmã e não ele?
A voz de Valentina quebrou, e as lágrimas começaram a cair como pérolas de um colar arrebentado.
— Vamos. — Ela disse em voz baixa, virando-se para caminhar.
Era a primeira vez que visitava o túmulo do filho. Tinha sido uma visita apressada e, por isso, ela não havia trazido nada.
Mas, da próxima vez, ela traria brinquedos e lanches.
Eduardo a seguiu em silêncio. Ambos estavam tomados por um peso que tornava o ambiente ainda mais melancólico.
Ao saírem do cemitério, os postes de luz na calçada se acenderam, iluminando a rua. Sob uma dessas luzes, um Maybach preto estava estacionado.
A porta do carro abriu, e Lucas desceu do veículo.
A figura alta e imponente do homem caminhava na direção de Valentina.
Ela parou de andar e, ao vê-lo se aproximar, seus olhos brilharam com uma frieza cortante.

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