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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 322

— Valentina, não chora, não chora…

Valentina abraçou a mãe com força, enquanto acariciava suavemente suas costas.

— Mãe, eu não vou chorar mais. Nós duas não vamos chorar mais.

— Não chora, não chora… — Camila repetia, abraçando Valentina com um gesto desajeitado, como se estivesse tentando acalmar uma criança. Com as mãos trêmulas, ela dava leves tapinhas no ombro da filha. — Valentina, não chora, Valentina, não chora…

Camila só conseguia dizer algumas palavras, mas, para Valentina, aquilo já era uma enorme vitória.

Naquele ambiente familiar, Camila parecia muito mais confortável.

No entanto, segundo Bastian, recuperar completamente a lucidez seria algo bastante difícil.

Atualmente, Camila só reconhecia Valentina. Nos momentos em que não estava em crise, ela se preocupava constantemente com a filha, como se Valentina fosse sua única referência no mundo.

Além disso, o tempo em que Camila conseguia permanecer lúcida era muito curto. Geralmente, ela ficava acordada e consciente por cerca de uma hora antes de começar a demonstrar sinais de sonolência ou entrar em um estado de apatia, como se estivesse perdida em pensamentos.

Bastian passou parte do dia observando Camila e conseguiu identificar algumas diretrizes para o tratamento. Ele prescreveu uma combinação de ervas medicinais e pediu a Joaquim que as preparasse na farmácia e as trouxesse até a casa.

Mas o chá era extremamente amargo, e Camila recusava-se a bebê-lo.

Valentina, então, lembrou-se de algo do passado. Ela foi até a cozinha e pegou alguns caramelos, os mesmos que sua mãe costumava dar a ela quando Valentina era criança e também se recusava a tomar remédios.

Quando Camila viu os caramelos, sorriu de imediato e, sem hesitar, tomou o chá.

— Bala… Bala… — Disse Camila, estendendo a mão para Valentina com urgência, como uma criança impaciente.

Valentina colocou um dos caramelos na palma da mão da mãe.

Camila ficou radiante. Guardou o doce no bolso da roupa e disse:

— Valentina, bala… Para Valentina, para Valentina.

Valentina ficou paralisada por alguns segundos. Seus olhos encheram-se de lágrimas mais uma vez.

Mesmo em seu estado confuso, Camila ainda se lembrava de que Valentina adorava aqueles caramelos quando era pequena. Ela própria recusava-se a comer o doce, preferindo guardá-lo para dar à filha.

O que Camila não compreendia, e talvez jamais compreendesse, era que Valentina já havia crescido, tornara-se uma mulher adulta e agora era mãe também.

Valentina ficou surpresa com a pergunta, mas acabou assentindo com um sorriso fraco.

— Sim, somos amigos. Mas…

— Então é normal que amigos se ajudem. — Disse Bastian, sua voz grave e tranquilizadora. Ele então perguntou. — Camila já dormiu?

— Sim. — Valentina sorriu levemente. — Ela deitou e dormiu quase imediatamente.

— Você tem mesmo um jeito especial com ela. — Bastian comentou, enquanto fechava a torneira. Ele secou a tigela com um papel toalha e a colocou no escorredor. — Vamos conversar lá fora.

Valentina assentiu e o seguiu para fora da cozinha.

Os dois caminharam até a sala e sentaram-se no sofá.

— Ter coisas familiares ao redor, como a decoração e os objetos, dá a Camila uma sensação de segurança. Isso é extremamente benéfico para o tratamento dela. — Bastian fez uma pausa antes de continuar. — Mas, no momento, ela só reconhece você. Isso vai ser cansativo para você.

— Se isso ajudar minha mãe a melhorar, qualquer esforço vai valer a pena. — Respondeu Valentina com firmeza.

— Eu sei que você não tem medo de se sacrificar. — Bastian disse, encarando-a com seriedade. — Mas você também tem Marina e seu trabalho. O tratamento de Camila pode levar muito tempo, e você não vai conseguir ficar ao lado dela todos os dias.

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