Marina pegou mais um pão de queijo e o colocou na boca.
— Viram só? Não importa quantas pessoas estejam me olhando, nada me impede de comer bem.
Assim que Marina falou, os adultos ao redor da mesa caíram na risada. Graças à presença dela, a atmosfera do café da manhã ficou muito mais leve e animada.
Daniela olhou para Marina, vendo como ela era saudável e bem cuidada, e não pôde evitar sentir um calor no coração.
Depois do café, ela criou coragem e tentou convencer Rivaldo a seguir a recomendação de Valentina e levar Noah para consultar Bastian novamente.
Rivaldo era alguém que sabia ouvir quando o assunto era sério, então decidiu levar Noah ao consultório junto com Daniela.
Marina, que não precisava ir à escola naquele dia, ficou animada e insistiu para ir junto.
Marcos, no entanto, não achava seguro deixar Marina sair apenas com Rivaldo e Daniela, então decidiu acompanhá-los.
Depois que todos saíram, Valentina ficou para ajudar Isadora a arrumar a mesa e a limpar a cozinha.
Enquanto isso, Lucas e Álvaro tomavam café sob a velha figueira no pátio.
Na cozinha, o som constante da água correndo preenchia o ambiente. Isadora, enquanto lavava os pratos, perguntou a Valentina:
— O Lucas ainda não está pensando em ir embora?
— Não sei.
Isadora deu uma olhada pela janela.
— Ele ainda está lá fora com o Álvaro, tomando café. Ontem ele bebeu tanto com o Rivaldo e ainda passou a noite acordado. Agora está cheio de energia. Ah, a juventude!
Valentina não respondeu. Ela estava concentrada nos pratos na pia, mas claramente perdida em pensamentos.
Isadora notou e virou-se para ela.
— Eu acho que ele quer falar algo com você… A sós.
Os cílios de Valentina tremeram ligeiramente. Ela pegou o chuveirinho da pia e começou a enxaguar os pratos com espuma.
— Não temos nada para conversar.
Isadora suspirou, balançando a cabeça.
— Esse Lucas é mesmo impossível de entender…
…
Depois de terminar de arrumar a cozinha, Valentina e Isadora saíram juntas. Nesse momento, Lucas entrou pela porta.
Assim que viu Valentina, ele falou com a voz calma:
— Podemos conversar?
Lucas curvou os lábios em um sorriso indecifrável, quase provocativo.
— Amanhã, não precisa nem aparecer no tribunal.
Valentina sentiu o coração acelerar e perguntou com a voz tensa:
— O que isso quer dizer?
— Eu já disse. Você não vai ganhar esse processo. — Lucas a encarou com um olhar firme, intenso. — Nós não vamos nos divorciar.
A certeza nos olhos dele era tão absurda que Valentina teve vontade de rir de raiva.
— Lucas, você acha que o tribunal é sua propriedade privada?
— Eu sou advogado, Valentina. Eu sempre sigo a lei. — A voz dele era calma, quase casual. — Mas você precisa entender que certas coisas não são tão simples quanto parecem. Se você quer levar esse caso adiante, eu não vou me opor. Mas o resultado final… Será o que eu decidir.
Depois de dizer isso, Lucas virou-se e saiu, deixando Valentina sozinha na sala.
Ela ficou parada, olhando para as costas dele enquanto ele se afastava, com uma expressão carregada de preocupação.
…
As palavras de Lucas não saíram da cabeça de Valentina pelo resto do dia. O tom confiante dele, como se já tivesse decidido tudo, a deixava inquieta.

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