Lucas se aproximou e se sentou no sofá de canto, cruzando as pernas com elegância. Seus olhos estreitos e profundos fixaram-se em Valentina, enquanto sua voz grave cortava o silêncio:
— Quando você vai voltar para casa?
— Voltar para casa? — Valentina soltou uma risada fria. — Lucas, eu e você ainda temos uma casa?
— Nós não nos divorciamos. — Lucas respondeu com uma expressão impassível. — Já faz uma semana. Você já deveria ter esfriado a cabeça.
Valentina riu de novo, mas dessa vez com mais sarcasmo.
— Lucas, na sua cabeça, esses quatro anos que eu passei escondida em Cidade J foram só um capricho meu? Só porque eu estava de mau humor?
Lucas sabia muito bem captar o tom de ironia na voz dela. Ele suspirou, levando a mão à testa e massageando levemente as têmporas.
— O que você quer, afinal, para voltar comigo?
Valentina cruzou os braços, o olhar firme e decidido:
— Aqui eu tenho uma vida tranquila. Tenho minha família, tenho amigos e não preciso me preocupar em ser manipulada ou prejudicada pela Cecília. Me diz, por que eu voltaria? Para quê? Para continuar sofrendo?
Lucas apertou os lábios e ficou em silêncio por alguns segundos. Finalmente, ele respondeu:
— Pelo menos, pense nas crianças. Marina não pode crescer em uma cidadezinha como essa. Em Cidade B, eu posso dar a ela o melhor de tudo.
— O “melhor de tudo” que você fala são os benefícios de ser uma Montenegro? Ou a herança bilionária que você tanto se orgulha? — Valentina zombou, o canto da boca curvado em um sorriso frio. — Lucas, não se esqueça de que você já tem um filho, o Gabriel. Ele é o seu filho favorito, o único herdeiro legítimo da família Montenegro.
Lucas manteve a expressão séria e respondeu com firmeza:
— A existência do Gabriel não será um problema para Marina. Eu vou tratar os dois com total igualdade.
Valentina estreitou os olhos, incrédula.
— Você acha que eu vou ficar emocionada com isso?
Lucas suspirou, abaixando um pouco a cabeça antes de encará-la novamente.
— Há quatro anos, foi minha negligência que causou a morte do nosso filho. Esse erro é meu, e eu assumo a culpa. Mas eu fiz uma promessa ao pai do Gabriel. Prometi que cuidaria dele e da Cecília...
Ele fechou os olhos por um breve momento, como se carregasse um peso insuportável, e continuou em um tom de voz mais baixo:
— Desculpe, Valentina. Eu não posso fazer nada contra a Cecília.
Valentina soltou uma risada amarga e desacreditada.
— Você não pode fazer nada contra ela? — Valentina repetiu, zombando. O riso aos poucos se transformou em lágrimas de raiva. Seus olhos ficaram vermelhos enquanto ela o olhava.
— Você é mesmo uma pessoa de princípios. É tão fiel às suas promessas que sacrificou a vida do seu próprio filho por elas. Lucas, você é realmente um homem admirável.
As mãos de Valentina tremiam de tanta raiva. Ela sentia uma dor que parecia rasgar seu coração ao pensar na morte de seu filho tão injusta e cruel.
— Mas Lucas, o que você devia à Cecília era um problema seu. Por que o meu filho teve que pagar por isso? Eu criei o Gabriel por cinco anos. Você dizia que era um acordo, que era algo de mútuo interesse. Tudo bem, eu aceitei. Mas a vida do meu filho não é moeda de troca para você pagar sua dívida de gratidão. Se você quer que eu perdoe a Cecília, então vá para o céu e pergunte ao meu filho se ele concorda!
Lucas abaixou a cabeça, os lábios pressionados em uma linha fina. Ele parecia querer dizer algo, mas, no final, permaneceu em silêncio.

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