— Lucas, você não acha que, só porque está sendo um pouco mais gentil comigo, eu vou ser tão idiota a ponto de voltar a ser a babá gratuita sua e da Cecília, né? — Valentina soltou uma risada fria antes de continuar. — Pra ser sincera, só de lembrar que passei cinco anos cuidando do filho de vocês dois, me dá nojo!
Lucas pisou no freio com força.
O som do pneu derrapando cortou o silêncio da noite, e o Maybach parou bruscamente ao lado da estrada.
— Valentina, o Gabriel te vê como uma mãe de verdade. — Disse Lucas, encarando-a pelo retrovisor. — Você não acha que está sendo cruel demais ao dizer isso?
Valentina desviou o olhar, enquanto suas mãos, descansando ao lado do corpo, se fechavam lentamente em punhos.
Ela sabia que Gabriel era inocente. Nunca havia descontado sua raiva no menino. Mas, naquele momento, ela precisava dizer aquilo.
Mantendo a expressão fria, Valentina respondeu:
— Só estou sendo sincera.
Lucas soltou um riso seco. Seu rosto, sempre impecavelmente bonito, estava agora sombrio e carregado. Ele abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo toque do celular.
Era Cecília.
Ele hesitou por um breve instante, mas acabou atendendo:
— Cecília... Calma, já estou voltando.
Depois de desligar, ele virou-se para Valentina.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela falou:
— Abra a porta. Quero descer.
Lucas apertou os lábios, mas não disse mais nada. Ele destravou as portas.
Valentina saiu do carro imediatamente, fechando a porta com força.
O Maybach arrancou e desapareceu na estrada.
Valentina curvou os lábios em um sorriso gélido. Não importava o quanto ela falasse, nunca seria o suficiente para competir com uma única palavra de Cecília.
Lívia estava certa. Em toda Cidade B, ninguém tinha mais sorte do que Cecília.
Como o local não ficava longe do centro, Valentina pegou o celular para chamar um carro.
De repente, uma luz forte de farol vindo de frente ofuscou sua visão. Ela ergueu a mão para proteger os olhos.
Um Range Rover parou lentamente ao seu lado.
A porta do motorista se abriu, e um jovem alto e bonito saiu do carro.
O som da porta sendo fechada com força ecoou, carregado de irritação.
— Valentina!
O rapaz tinha pernas longas, uma postura descontraída e um rosto tão impecável que podia facilmente competir com os maiores galãs do cinema. Mas, naquele momento, sua expressão estava cheia de raiva.
Valentina o encarou, levemente surpresa. Depois de um instante, franziu as sobrancelhas e perguntou:
— Marcos?
Marcos soltou uma risada irônica.
— Até que enfim! Você ainda lembra de mim? Achei que fosse me deixar no aeroporto até o Ano Novo passar e só viesse me buscar quando o trabalho recomeçasse!
Valentina apertou os lábios, desconfortável.
— Eu te mandei uma mensagem.


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