Quando Aurora trouxe Tatiana para dentro da sala de cinema, Cecília já estava sentada no sofá, segurando um roteiro e lendo com atenção.
Ao ouvir o barulho da porta, Cecília levantou a cabeça. Ela olhou para Tatiana e, em seguida, voltou o olhar para Aurora.
— Pode sair.
— Certo. — Aurora assentiu, deu meia-volta e saiu, fechando a porta atrás de si.
Cecília colocou o roteiro de lado, levantou-se e foi em direção a Tatiana.
— Mãe, me desculpa. Eu troquei de empresa recentemente, tem sido tudo tão corrido, eu...
PAH!
O som de um tapa ecoou pela sala. O rosto de Cecília virou para o lado com o impacto, e uma marca vermelha imediatamente surgiu em sua bochecha.
Cecília ficou paralisada. Foi só quando sentiu a ardência na pele que percebeu o que tinha acontecido.
Ela levou a mão ao rosto, olhou para Tatiana com os olhos marejados de raiva e dor, mas tentou parecer submissa e frágil.
— Mãe, por que você me bateu?
— Você acha que trocando de empresa e de número de celular eu não conseguiria te achar? — Tatiana a encarou com fúria nos olhos. — Deixa eu te dizer uma coisa, Cecília. Eu te criei e te sustentei para que você tivesse sucesso e pudesse me retribuir. Agora que você ficou famosa, rica, quer me descartar? Você está sonhando!
Cecília encarou Tatiana. Durante anos, ela tinha fingido ser outra pessoa, mas agora, finalmente, sua verdadeira face tinha aparecido.
Por dentro, Cecília sentia um ódio profundo por Tatiana, mas sabia que ainda não era o momento de confrontá-la. Ela precisava ser paciente e esperar pela hora certa.
— Mãe, por favor, não fique brava. Eu juro que não troquei de número de propósito. Foi a nova empresa. Eles têm regras rígidas. Estavam preocupados que a antiga empresa tentasse me convencer a voltar caso eu ficasse muito famosa, então...
— Eu não quero saber. — Tatiana a interrompeu, empurrando-a de lado e caminhando até o sofá. Ela se sentou e respirou fundo antes de continuar. — Só quero o meu dinheiro.
Cecília cerrou os dentes, mas manteve a calma.
— Eu não tenho esse dinheiro agora.
— Está achando que me engana? — Tatiana soltou uma risada sarcástica. — Não se faça de boba. Eu sei que no último mês você fechou contratos de publicidade e participou de vários programas de TV. Não me diga que não tem cinquenta milhões.
— Mãe, eu estou falando a verdade. O dinheiro desses contratos é dividido com a empresa. Não é tão simples como parece. — Cecília explicou, com um tom quase suplicante. — Eu só tenho cinco milhões em dinheiro. Pode ficar com isso, está bem?
— Cinco milhões não servem para nada. — Tatiana respondeu, com o rosto contorcido de raiva. — Eu quero os cinquenta milhões. Nem um centavo a menos.
Cecília franziu as sobrancelhas, tentando controlar a explosão de emoções dentro de si.
— Cecília, eu sei que você é esperta. Mesmo que não tenha o dinheiro agora, você consegue arrumar. Vou te dar três dias. Se daqui a três dias eu não tiver os cinquenta milhões, terei que vender o que eu tenho de mais valioso.
Tatiana enfatizou a palavra “valioso” com um tom pesado.
Os olhos de Cecília se arregalaram, e todo o seu corpo ficou tenso.

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