Era Kelly quem costumava buscar e levar Gabriel para a escola todos os dias.
Mas, nos últimos dias, Kelly havia pegado uma gripe forte. Ela estava com febre baixa há dias, sem disposição alguma. Por isso, Lucas decidiu que o motorista da família assumiria a responsabilidade de levar e buscar Gabriel enquanto Kelly se recuperava.
Cecília chegou cedo e ficou esperando na entrada da escola.
Quando viu Gabriel descendo do carro de luxo, ela imediatamente colocou os óculos escuros e a máscara, desceu do seu carro e correu apressada em direção a ele.
— Gabriel!
Gabriel parou no meio do caminho, achando que havia ouvido errado. Ele balançou a cabeça rapidamente e continuou andando, sem dar atenção.
— Gabriel, sou eu! — Cecília apressou o passo e segurou o braço de Gabriel. — Sou sua mãe!
Gabriel se virou, puxado pelo toque. Ele olhou para a mulher que estava completamente coberta por máscara e óculos e, por um instante, ficou chocado. Era mesmo a mãe dele.
Mas, ao lembrar-se de como Cecília havia desaparecido sem dar explicações quatro anos atrás, o pequeno momento de alegria foi rapidamente substituído por mágoa e ressentimento.
Ele arrancou o braço da mão de Cecília com força.
— Eu não te conheço.
— Gabriel. — Cecília o chamou de novo, com desespero na voz. Ela segurou o braço dele novamente e tentou se explicar. — Eu sei que errei, mas eu tinha meus motivos. Sei que você está atrasado para a aula, mas me espere depois da escola. Eu te busco, te levo para comer algo gostoso e explico tudo o que aconteceu há quatro anos... Por favor, me escuta.
— Não preciso disso. — Gabriel disse com dureza, puxando o braço com mais força.
— Ai! — Cecília soltou um grito baixo e recuou, segurando o próprio pulso.
Gabriel hesitou, surpreso com a reação dela. Quando olhou melhor, percebeu que o pulso de Cecília estava envolto em uma faixa, e sangue havia começado a manchar o tecido branco.
— Você... Você machucou o pulso? — Gabriel perguntou, com os olhos arregalados.
Cecília rapidamente puxou a manga do casaco para cobrir o pulso, a voz saindo apressada e hesitante:
— Não foi nada. Estou bem, de verdade.
Gabriel se lembrou de algo que havia ouvido anos atrás: Cecília tinha depressão.
Ele franziu o cenho e a encarou por um momento, como se estivesse tentando decifrá-la.
— Sua doença ainda não melhorou, né?
Cecília mordeu os lábios, parecendo relutante em falar.
Gabriel suspirou, desviando o olhar.
— Esquece. Eu preciso ir para a aula.
— Tudo bem. Vá tranquilo. Eu venho te buscar depois da aula.
Dessa vez, Gabriel não respondeu e simplesmente entrou na escola.
— Minha mãe vai me levar para jantar. Já avisei ao meu pai. Pode ir embora.
O motorista, sem questionar, assentiu.
— Tudo bem.
Gabriel caminhou até o carro de Cecília. A porta se abriu, e ele entrou.
A porta foi fechada, e o carro partiu.
Dentro do veículo, Cecília olhou para o filho com os olhos marejados. Ela passou a mão pelo cabelo dele e sorriu.
— Você cresceu tanto. Está muito diferente... Um rapaz lindo.
Enquanto falava, lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.
— Gabriel, posso te dar um abraço?
Gabriel a olhou desconfiado, franzindo as sobrancelhas. Mas, ao ver as lágrimas de Cecília, ele hesitou e acabou assentindo com um movimento rígido da cabeça.
Cecília abriu os braços e o puxou para perto, envolvendo-o em um abraço apertado.
— Filho... Finalmente eu te encontrei de novo. Achei que nunca mais nessa vida eu teria a chance de te ver.

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