Sob a luz da lua, uma brisa suave acariciava o rosto delicado da mulher, enquanto seus dedos graciosos deslizavam pelas cordas do alaúde.
A melodia fluía pelo ar noturno com uma suavidade envolvente, ecoando como se fosse parte da própria noite.
Bryan ouviu atentamente por alguns instantes, até que, de repente, reconheceu a música e exclamou, surpreso:
— Essa é “O Pincel do Avô”?
Ele não podia acreditar. Valentina também sabia tocar aquela música.
Sem conseguir se conter, Bryan pegou o celular e começou a gravar.
Valentina, que há anos não encostava em um alaúde, parecia um pouco hesitante no início. Mas, à medida que seus dedos se ajustavam ao instrumento, ela se entregava ao ritmo com naturalidade e confiança.
A melodia chamou a atenção de vários membros da equipe de produção, que começaram a se aproximar curiosos.
O diretor olhou para o assistente, que não precisou de mais nada para entender o recado. Ele trouxe rapidamente um estabilizador de câmera e entregou ao diretor, que começou a gravar a cena com cuidado.
Bastian, que estava de pé ao lado, também ligou o modo de gravação em seu celular, capturando cada detalhe daquele momento.
Quando Valentina terminou a música, o silêncio tomou conta do ambiente.
E então, como se o encanto finalmente se rompesse, os aplausos ecoaram.
Valentina levantou os olhos e percebeu que, além de Cecília, Isaac e Aurora, todos os outros participantes haviam retornado para assistir à sua apresentação.
Ela, com elegância e serenidade, abraçou o alaúde e fez uma leve reverência para agradecer. Logo em seguida, devolveu o instrumento para Bryan.
— Obrigada. — Disse ela.
Bryan a olhou com admiração, seus olhos brilhando.
— Valentina, você é incrível! Você já tinha aprendido a tocar alaúde?
— Sim. — Respondeu Valentina, com um sorriso discreto. — Meu avô contratou um professor para mim quando eu tinha oito anos. Mas, depois dos quinze, acabei não continuando.
— Dá pra ver que você tem uma base muito sólida. — Comentou o diretor, entusiasmado. — Eu gravei sua apresentação com o estabilizador. Se você não se importar, gostaria de incluir esse trecho na introdução do próximo episódio.
Valentina refletiu por um momento. Ela tinha seus próprios planos em mente.
Ela assentiu, com um sorriso educado.
— Não me importo.
— Perfeito! — Comemorou o diretor. — Vou pedir para a equipe de edição ajustar o clipe. Antes da exibição, mando o vídeo para você aprovar.
— Obrigada, diretor. — Respondeu Valentina, com um leve sorriso.
— O quê? — Isaac franziu o cenho, incrédulo. — Então por que você disse que compôs aquelas músicas?
— Porque eu comprei as músicas. — Respondeu Cecília, com firmeza. — Os direitos autorais são meus.
Isaac estreitou os olhos, analisando cada palavra dela.
— Você tem certeza disso?
— Sim. — Cecília respondeu, tentando soar confiante, mesmo que por dentro estivesse completamente insegura.
Ela sabia que, de forma alguma, podia deixar Isaac descobrir que as músicas não haviam sido compradas, mas roubadas de Valentina.
Comprar era uma coisa. Roubar era outra completamente diferente.
Mesmo sendo a artista mais popular da empresa no momento, Cecília entendia como o mercado funcionava. Enquanto ela fosse lucrativa, a empresa a protegeria. Mas a carreira de uma estrela tinha prazo de validade.
Mais cedo ou mais tarde, a empresa investiria em novos talentos. Zita já era uma ameaça óbvia. Cecília sabia que não podia cometer erros agora.
Se Isaac descobrisse que ela havia usado músicas roubadas para impulsionar sua carreira, isso seria um ponto fraco que ele poderia usar contra ela no futuro.
Cecília deixou as lágrimas brotarem em seus olhos, dando um toque de vulnerabilidade à sua expressão. Ela olhou para Isaac, com a voz trêmula:
— Isaac, eu tenho meus motivos. Por favor, me ajude a manter isso em segredo, está bem?

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