Na manhã seguinte, Valentina acordou às sete. Marina ainda dormia profundamente.
Valentina se inclinou sobre a pequena, encostando o rosto no dela e esfregando de leve, antes de lhe dar alguns beijos carinhosos.
Marina, com a boquinha franzida de sono, resmungou enquanto se virava para o outro lado:
— Mamãe, me deixa dormir só mais cinco minutinhos, tá?
Valentina riu baixinho, ajeitou o cobertor sobre a filha e se levantou da cama.
Ainda era cedo. Depois de tomar banho e se vestir, ela passou uma maquiagem leve. Afinal, aquele era um grande dia. Um dia para finalizar um capítulo da sua vida.
Hoje, ela iria ao cartório assinar o divórcio. Precisava estar bem apresentada.
Quando Valentina desceu as escadas, viu Marcos entrando pela porta principal.
Nos braços dele, havia um buquê de rosas brancas.
Valentina não conseguiu segurar o riso.
— Você realmente saiu para comprar flores logo cedo?
— Eu encomendei ontem à noite. O entregador acabou de deixar. — Explicou Marcos, parando à sua frente e lhe estendendo o buquê. — Feliz divórcio.
Valentina pegou as flores, aproximou-as do rosto para sentir o perfume, e olhou para ele com um brilho divertido nos olhos.
— Obrigada.
Renata saiu da cozinha nesse momento, segurando uma tigela de sopa.
— Valentina, Marcos, venham tomar café da manhã. É melhor comerem antes de sair. Ainda está cedo.
De fato, ainda era cedo. Mesmo depois de tomarem o café, o relógio marcava apenas oito horas.
Marcos, claro, iria acompanhar Valentina ao cartório. Mas ele insistiu em levar o buquê de rosas brancas junto. Valentina, no entanto, foi firme. Não queria chamar atenção desnecessária.
Marcos suspirou, meio desapontado, mas conhecia bem a personalidade dela. Valentina nunca foi alguém de gostar de exageros ou de ser o centro das atenções.
— Me diz uma coisa: essa personalidade extrovertida da Marina... Ela puxou a quem, hein? — Perguntou Marcos, brincando.
Valentina lançou um olhar de soslaio para ele e respondeu:
— Você já pensou que talvez não seja genética? Pode ser influência do ambiente.
Marcos parou por um segundo, mas logo entendeu. Valentina estava insinuando que ele era o verdadeiro culpado pela extroversão da menina.
— Bom, se ela puxou a mim, melhor para ela. Nunca vai engolir sapo, vai falar o que pensa e dar a volta em canalhas. Isso é uma vantagem, não acha?
Valentina apenas sorriu, sem responder. No fundo, ela também acreditava que o jeito alegre e expansivo de Marina era algo positivo. Uma personalidade assim sofreria menos.
…
Depois de tomarem uma xícara de café, eles conferiram o horário e decidiram sair.
O trajeto do Retiro das Nuvens até o cartório foi incrivelmente tranquilo. Semáforos abertos todo o caminho.
Eduardo viu que Lucas insistia em andar sozinho, mesmo estando claramente debilitado. Ele sentiu uma mistura de frustração e compreensão. Como homem, Eduardo sabia que Lucas não queria parecer fraco naquele momento.
Valentina tirou os papéis do divórcio da bolsa e os entregou a Lucas.
— Eu já assinei. Você quer revisar alguma coisa?
— Não precisa. — Respondeu Lucas, fixando o olhar nela. Seus olhos estavam profundos e sombrios. — Eu mesmo preparei o acordo. Sei exatamente o que está escrito.
Valentina não disse mais nada.
Lucas mostrou o número de senha que tinha retirado previamente.
— Estamos quase na nossa vez.
Valentina assentiu levemente e foi sentar-se em uma das cadeiras desocupadas.
Marcos puxou Eduardo para um canto e perguntou em voz baixa:
— Lucas não parece nada bem. O que está acontecendo?
Eduardo suspirou, com uma expressão preocupada.
— Ele não deveria nem ter saído do hospital. Está fora da UTI há apenas dois dias. É completamente irresponsável. — Eduardo lançou um olhar para Lucas, que, lentamente, aproximava-se de Valentina. — Ele está se esforçando além do limite.
Marcos ficou em silêncio por um momento. Ele não gostava de Lucas, mas sabia que Lucas estava naquele estado por causa de Valentina. Se ele morresse, Valentina estaria em sérios problemas legais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...