Tatiana balançou a cabeça, os olhos saltados pela doença refletindo um medo absoluto.
— Eu não queria que fosse assim... Eu sei que te fiz mal, Dedé, mas eu não queria mais sofrer! Eu não conseguiria me adaptar vivendo no exterior. Dedé, descanse em paz. Nesta vida, não deu certo para nós, mas quem sabe na próxima? Na próxima vida, a gente pode ser marido e mulher. Me deixa em paz, por favor. Eu não quero morrer...
— Você não quer morrer? — Dedé soltou uma gargalhada rouca, ainda mais sinistra por causa da voz áspera deixada pelas queimaduras, como se fosse um demônio saído do inferno. — Tatiana, você já devia estar morta! Olha para você. Seu corpo está apodrecendo, você acha que ainda tem salvação? E aqueles seus remédios milagrosos, hein? Você acha que eles vão te curar? Eu vou te contar um segredo: isso que você está tomando é veneno. Você não tem mais muito tempo, Tatiana. Vai morrer. E vai morrer de um jeito horrível.
Os olhos de Tatiana se arregalaram ainda mais. Ela negou com a cabeça, tentando se convencer:
— Não... Não é possível! Esses remédios me custaram uma fortuna! Eu vou melhorar, Dedé! Eu não vou morrer! Eu não vou!
Dedé riu com desprezo, a gargalhada ecoando como uma maldição.
— Hahahaha! Tatiana, você passou a vida toda manipulando homens e, veja só, no final, foi derrotada por um deles. Quer saber de uma coisa? Fui eu quem te passou AIDS.
Ele a encarou com um olhar cheio de veneno e completou:
— Você queria tanto se livrar de mim, né? Pois agora vai carregar o que eu te dei até o inferno. Não se preocupe, Tatiana. Eu estarei lá te esperando. Nós vamos viver no inferno juntos, para sempre.
Enquanto ria descontroladamente, Dedé agarrou o braço de Tatiana com força.
— Não! Me solta, Dedé! Me solta! Eu não quero! — Tatiana gritou em pânico, sua voz tremendo de desespero. O medo a dominou completamente, e ela perdeu o controle, urinando ali mesmo.
Dedé parecia prestes a matá-la com as próprias mãos, tamanha era sua fúria. No entanto, antes que pudesse fazer algo, os homens de Lucas o seguraram a tempo. Tatiana desmaiou, incapaz de suportar o terror.
Embora sua morte estivesse próxima, ela ainda não podia partir. Tanto Tatiana quanto Dedé eram peças essenciais para reverter o caso de Camila.
Valentina entregou o caso ao Edson para que ele o acompanhasse de perto. Sabendo que Tatiana tinha pouco tempo de vida, o Supremo Tribunal decidiu priorizar o julgamento.
Lucas, como sempre, já havia se antecipado. Embora o caso parecesse ter sido reaberto recentemente, na verdade, ele vinha sendo preparado há mais de um mês.
Depois de nove anos, o caso finalmente seria revisado.
A família Paiva foi notificada e compareceu ao tribunal no dia do julgamento. A Sra. Paiva chegou acompanhada de André e de outros membros da família.
Camila, por sua vez, ainda não havia recuperado totalmente a sanidade. Ela só reconhecia Valentina, Nina, Frederico e as poucas pessoas que haviam cuidado dela nos últimos tempos.
Quando o julgamento começou, Valentina segurou firme a mão de Camila.



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