Rivaldo franziu as sobrancelhas enquanto o choro de Gabriel ficava cada vez mais alto.
Rivaldo olhou para ele, mas em sua mente surgiu a imagem do rosto radiante e jovial de Gael.
— Rivaldo, tenho uma boa notícia para você: vou ser pai. — A voz de Gael ecoava em sua memória.
— Que cara é essa? Está com inveja porque eu vou ser pai tão jovem? Ei, quando essa missão acabar, vou voltar e pedir Cecília em casamento.
— Rivaldo, você está com uma cara péssima. Ah, não diga que eu não sou generoso, hein. Quando o bebê nascer, que tal ser o padrinho dele?
Rivaldo fechou os olhos, tentando suprimir as emoções que começavam a borbulhar dentro dele.
Depois de alguns segundos, ele se inclinou, sentou-se na beira da cama e começou a dar leves tapinhas no peito de Gabriel com sua grande mão.
— Calma. Papai está aqui.
O choro de Gabriel foi diminuindo aos poucos.
Naquela noite, Rivaldo não saiu do lado de Gabriel.
Quando o dia começou a clarear, Gabriel acordou sentindo sede. Ao abrir os olhos, viu Rivaldo debruçado sobre a lateral da cama, adormecido. A cena o surpreendeu.
Rivaldo percebeu o movimento no colchão e franziu o cenho antes de abrir os olhos.
Os dois se encararam, e Gabriel, hesitante, murmurou com medo:
— T-tio...
Rivaldo levantou-se, com a expressão fria e inabalável de sempre, e encarou o menino.
— Você é tão fraco. Seu pai, no passado, enfrentou cinco homens de uma vez sem derramar uma única lágrima. E você? Chorou a noite inteira. Que vergonha para ele.
Gabriel olhou para ele, com os olhos arregalados, e perguntou, com um tom tímido:
— Tio, você e meu pai eram amigos?
— Você está falando do Lucas? — Perguntou Rivaldo, seco.
Gabriel assentiu.
— Preste atenção. Lucas não é seu pai. A partir de agora, você não é mais Gabriel Montenegro. Seu nome agora é Gabriel Borges.
Gabriel ficou parado, encarando Rivaldo com um olhar vazio.
Rivaldo não gostava da expressão lenta e confusa do garoto, mas, lembrando que ele era filho de Gael, respirou fundo e se obrigou a manter a paciência.
— Seu pai se chamava Gael. Ele foi um herói incrível. Como filho dele, você precisa ser forte e corajoso. Pare de envergonhá-lo. Eu era o melhor amigo do seu pai, e, por isso, vou cuidar de você como se fosse meu próprio filho. Vou te dar tudo do bom e do melhor. De agora em diante, você pode me chamar de padrinho.
Gabriel sentiu o coração apertar.
Isabela explicou que Lucas queria preparar Noah para assumir responsabilidades maiores. Por isso, ele havia matriculado o menino em uma escola de elite financiada pela família Montenegro.
Essa escola era frequentada pelos filhos das famílias mais ricas de Cidade B, incluindo futuros herdeiros de grandes empresas. Era óbvio que Lucas estava colocando pressão no garoto desde cedo.
No início, Valentina ficou preocupada, temendo que Noah não se adaptasse àquele ambiente competitivo.
Mas, para sua surpresa, Noah não só se adaptou como também começou a melhorar sua habilidade de se comunicar com outras pessoas.
Diante disso, Valentina decidiu observar mais um pouco antes de seguir com seu plano de entrar na justiça para reivindicar a guarda do filho.
Na manhã de quarta-feira, Valentina havia acabado de chegar ao estúdio quando recebeu uma ligação de Lucas.
— Noah está com febre. Ele quer ver você.
Valentina empalideceu de preocupação. Levantou-se imediatamente, pegou sua bolsa e já estava saindo enquanto perguntava:
— Onde vocês estão agora?
— Na Villa Monteverde.
— Certo. Estou indo para aí agora.
Assim que desligou a chamada, Valentina entrou no carro e dirigiu diretamente para a Villa Monteverde.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...