Valentina sabia que aquilo não eram livros. Devia ser alguma papelada da empresa que precisava da assinatura urgente de Lucas. Ele estava trabalhando de casa.
— Papai disse que, assim que terminasse o trabalho, iria brincar comigo e com o Noah. Ele brincou de desenhar com a gente, jogou jogo de tabuleiro e até nos ensinou a escrever! Ah, mamãe, o papai escreve seu nome de um jeito tão bonito!
Valentina parou por um momento, surpresa.
— Mas… — Marina baixou um pouco a voz, como se hesitasse em continuar. — Acho que o papai está doente.
Valentina abaixou o olhar, observando a filha com atenção.
— Como você sabe disso?
— Ele tosse muito… — Marina respondeu, franzindo o cenho. — E eu reparei que ele tem umas marquinhas de injeção no dorso da mão. Perguntei o que era, e ele disse que eram picadas de mosquito.
Marina fez um biquinho, visivelmente contrariada.
— Humpf, o papai acha que ainda consegue me enganar como se eu não entendesse nada!
O olhar de Valentina ficou sombrio. Pelos sinais, parecia que o estado de saúde de Lucas realmente não estava bom. Mas era evidente que Lucas não queria que ninguém soubesse disso.
E, de fato, não era algo que deveria se tornar público. Com o Grupo Montenegro em uma situação tão instável, qualquer notícia sobre uma possível doença de Lucas só pioraria sua posição e abriria ainda mais brechas para ataques.
— Mamãe… — Marina ergueu o queixo, olhando para Valentina com curiosidade. — Por que você e o papai brigaram e se separaram?
No fundo, Marina ainda era uma criança. Uma criança esperta, curiosa e observadora, mas ainda assim uma criança.
Ela não entendia as complexidades do mundo dos adultos, mas percebia que o pai se importava com a mãe. Ao mesmo tempo, ela também sentia que Valentina não queria mais saber de Lucas.
Valentina não respondeu à pergunta de Marina. Ela apenas abraçou a filha com carinho e disse, com a voz suave:
— Marina, só quero que você se lembre de uma coisa: mesmo que eu e seu pai não estejamos mais juntos, o amor que sentimos por você e pelo Noah é igual. Nós dois sempre vamos amar vocês.
Marina piscou os olhos grandes e brilhantes.
— Eu sei disso. Eu amo muito o papai e a mamãe também. Mas, mamãe, eu ainda amo mais você!
Valentina sorriu e apertou de leve a orelhinha macia da filha.
— Eu sei disso.
— Mas às vezes… — Marina suspirou, baixando o tom de voz. — O papai olha para mim e para o Noah com um olhar tão triste… Ele parece até um pouco solitário.
Valentina fechou os olhos e soltou um suspiro de cansaço.
— Marina, já está tarde. Vamos dormir, tá bom?
— Tá bom. — Marina fechou os olhos e, de repente, disse animada. — Mamãe, vou cantar uma canção de ninar para você!
O coração de Valentina ficou aquecido com o gesto.
— Claro! Hoje é você que vai me fazer dormir.
— Sim!
Valentina apagou o abajur, e o quarto mergulhou na escuridão.


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