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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 547

Realizar a transferência de registro não exigia, necessariamente, a presença da pessoa, mas Lucas mencionou que também aproveitaria para fazer as identidades das crianças. Valentina, sem ver motivos para recusar, concordou.

Quando terminaram tanto a transferência quanto o processo de emissão das identidades, já eram três e meia da tarde.

Marina sugeriu que todos fossem juntos comer no KFC. Lucas não respondeu de imediato; ele simplesmente olhou para Valentina, aguardando sua reação.

Valentina pensou em recusar, mas sentiu sua mão ser segurada por Noah. Ao olhar para baixo, encontrou os olhinhos brilhantes e esperançosos do filho.

— Mamãe, vamos juntos, por favor?

— Isso mesmo, mamãe! Só desta vez, pode ser? — Marina se aproximou, segurando a outra mão de Valentina. — Papai disse que em breve vai para o exterior ganhar muito dinheiro, e talvez demore muito, muito tempo para voltar e nos ver.

Valentina levantou os olhos e olhou para Lucas. Ele também estava olhando para ela.

Como se tivesse medo de ser mal interpretado, Lucas se apressou em explicar:

— Eu realmente disse a eles que vou para um país distante, mas essa ideia de comer no KFC não foi combinada comigo.

Valentina apertou os lábios.

— Mamãe! — Marina balançou a mão de Valentina, insistindo. — Por favoooor!

Com as duas mãos presas pelas crianças, Valentina não teve coragem de desapontá-las. Ela suspirou e cedeu:

— Está bem.

Lucas ficou surpreso e levantou as sobrancelhas, encarando Valentina como se não acreditasse no que ouvira.

Valentina olhou para ele com uma expressão neutra.

— Vamos logo.

Lucas finalmente voltou a si e pegou o celular.

— Só um instante, vou procurar o KFC mais próximo...

— O shopping do centro tem um. — Valentina disse. — De carro, dá uns dez minutos.

— Certo. — Lucas guardou o celular e, com um olhar cauteloso, perguntou. — Vamos juntos?

Valentina hesitou por um momento antes de perguntar:

— Você não veio de carro?

— Gustavo nos trouxe.

Depois de refletir por alguns segundos, Valentina disse:

— Então vá no meu carro. Na volta, você pede para o Gustavo te buscar.

— Combinado.

...

Ao chegarem ao shopping, Valentina estacionou o carro no subsolo. Os quatro subiram juntos pelo elevador até o primeiro andar. Como era um horário tranquilo, não havia muitas pessoas no KFC.

Eles escolheram uma mesa em um canto mais reservado e se sentaram. Lucas levou as crianças ao balcão para fazer os pedidos.

— Crianças, vejam o que querem comer.

Lucas se abaixou um pouco, colocando o cardápio na altura de Marina e Noah. Sua voz era baixa e suave.

Marina arregalou os olhos ao ver a foto de um sundae no cardápio.

— Papai, eu posso comer isso?

Ela apontou com seus dedinhos gordinhos para a imagem do sundae e levantou o rosto para olhar Lucas, cheia de expectativa.

Noah também se aproximou para espiar o cardápio. Depois de um instante, ele também olhou para Lucas.

— Papai, eu quero um sundae também.

Lucas ficou um momento em silêncio, surpreso com o pedido. Ele então virou a cabeça instintivamente para Valentina.

— Eles podem comer sundae?

Imediatamente, três pares de olhos — um de Lucas e dois das crianças — se voltaram para Valentina, aguardando sua resposta.

Valentina não respondeu de imediato.

Sundaes são doces e gelados, completamente inadequados para crianças com estômagos sensíveis como Marina e Noah, que nasceram prematuros e sempre precisaram de cuidados especiais com a alimentação.

Porém, ao lembrar que aquele poderia ser o primeiro e último KFC que as crianças compartilhariam com Lucas, ela hesitou.

Valentina já esperava por essa pergunta.

— Tudo bem. Eu vou precisar viajar a trabalho nos próximos dias.

Lucas ficou surpreso com a resposta imediata.

— Você vai viajar? Para onde?

— Cidade X. — Valentina respondeu. — Ficarei fora uns quatro ou cinco dias. Marcos vai comigo.

Ao ouvir o nome de Marcos, Lucas apertou os lábios e ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:

— Tome cuidado enquanto estiver fora.

— Certo. — Valentina respondeu com indiferença. — Vou indo agora.

— Tudo bem.

Valentina se aproximou das crianças, deu um abraço em cada uma e se despediu. Depois, saiu do restaurante.

Lucas ficou parado, observando-a se afastar até que desaparecesse de vista. Só então ele pegou o celular e ligou para Gustavo, pedindo que fosse buscá-los no shopping.

...

No caminho de volta para casa, Valentina foi surpreendida por uma colisão. Seu carro havia sido atingido por trás.

Por sorte, ela estava usando o cinto de segurança e não se machucou.

Era horário de pico, e o acidente causou um grande congestionamento. Valentina saiu do carro para verificar os danos.

O veículo que a atingiu era um Rolls-Royce. O motorista, um homem de meia-idade usando luvas brancas, desceu rapidamente e se aproximou dela.

— Me desculpe, senhora. Eu me distraí por um momento e não consegui frear a tempo. Prefere chamar a polícia ou resolvermos isso de outra forma?

Valentina estava prestes a responder quando a porta traseira do Rolls-Royce se abriu, e Vasco desceu do carro.

No instante em que viu Vasco, um alarme disparou na mente de Valentina.

O que parecia ser um simples acidente começava a parecer algo muito mais intencional.

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