— Na época em que estavam no País K, ele pediu que você levasse o Noah e fosse embora enquanto ele ficava para negociar com o Rivaldo. — Começou Isabela, fazendo uma pausa breve antes de continuar. — Rivaldo culpava o Lucas pela morte do Gael. Ele exigiu que o Lucas cortasse um dedo da própria mão. Sem hesitar, o Lucas pegou uma faca e cortou o dedo mínimo. Rivaldo, na frente dele, deu o dedo cortado para os cães comerem.
Valentina franziu levemente a testa. De repente, lembrou-se de como, durante um período, o Lucas sempre usava luvas pretas. Agora fazia sentido.
Isabela prosseguiu:
— Depois que a ferida cicatrizou, ele mandou fazer uma prótese de dedo. Sempre que saía, ele a usava. Se você não olhasse de perto, nem perceberia. Estou te contando isso porque quero que você saiba que ele realmente ama esses dois meninos.
— Eu já percebi. — Respondeu Valentina, sem hesitar. Ela não negava o carinho que Lucas demonstrava pelos filhos. — Neste mundo, poucos pais conseguem dar tantos bens aos filhos quanto ele.
Isabela revirou os olhos, indignada.
— Você é uma mulher muito fria, sabia? Estou falando de sentimentos e você me responde com patrimônio!
Valentina olhou para o relógio, suspirando com um toque de cansaço.
— Dá para ir direto ao ponto?
— Tá bom, tá bom! Mas olha só, você é impossível! — Isabela exclamou, franzindo a testa com um suspiro exagerado. — Quem olha para você pensa que é uma pessoa doce, incapaz de ferir uma mosca. Mas, na prática, quando você decide ser fria, ninguém consegue ser mais impiedosa.
Valentina manteve os lábios fechados, sem responder. A opinião dos outros já não despertava nela a vontade de se justificar.
Isabela observou sua expressão e percebeu que, mesmo insistindo, era improvável que Valentina decidisse intervir com Lucas. Ainda assim, ela precisava tentar.
— O Lucas passou por coisas muito ruins desde pequeno. Depois, ele entrou para uma força de paz internacional, mas, durante uma missão, enfrentou algo muito além do que se vê em uma guerra comum. Aqueles criminosos eram monstruosos. Eles torturaram e mataram o Gael na frente dele… — Isabela fez uma pausa, respirou fundo e continuou. — O trauma foi tão grande que ele desenvolveu um caso severo de TEPT. Nunca mais conseguiu voltar ao campo de batalha. Antes de retornar ao país, ele passou seis meses em tratamento com o Dr. Félix para lidar com o trauma. Mesmo depois de voltar, ele precisa de acompanhamento psicológico constante. Os remédios que ele toma são de uma categoria especial, com efeitos colaterais muito mais agressivos do que os medicamentos comuns. Esses remédios reduzem as reações emocionais dele. Junte isso ao fato de que ele já teve uma infância complicada… Com o tempo, ele se tornou alguém emocionalmente frio.
Isabela fez outra pausa.



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