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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 560

Eduardo e Isabela estavam aos pés da cama, revezando-se em tentativas incansáveis de convencê-lo.

Lucas, outrora arrogante e imponente, agora permanecia deitado em silêncio, aguardando a morte com uma tranquilidade perturbadora.

O sol do início de agosto, tingido de vermelho pelo entardecer, atravessava a janela e iluminava o rosto de Lucas. Mas aquele brilho rubro era incapaz de trazer cor à sua pele, pálida como papel.

Do lado de fora, ouviu-se o som de um carro. Era Gustavo, que acabara de chegar. Logo, passos apressados ecoaram pelo corredor, ficando cada vez mais altos, até que a porta do quarto foi escancarada.

Gustavo entrou, ofegante, segurando o álbum de fotos que Valentina havia lhe dado.

— Sr. Lucas! Sr. Lucas!

Gustavo raramente agia de forma tão impulsiva. Lucas, que estava prestes a mergulhar em um sono profundo, foi despertado pelo barulho. Lentamente, ele ergueu as pálpebras e dirigiu o olhar para Gustavo, que agora estava parado ao lado da cama.

A testa de Lucas se franziu levemente, um reflexo instintivo do desconforto físico que só piorava.

Gustavo, com os olhos marejados, estendeu o álbum em sua direção.

— Sr. Lucas, olhe isso!

Eduardo e Isabela trocaram um olhar. Ambos tinham certeza de que aquilo era algo enviado por Valentina.

Lucas, no entanto, continuava sem demonstrar nenhuma reação significativa.

Gustavo insistiu:

— É da Marina. Ela pediu que eu entregasse isso ao senhor.

Lucas ficou imóvel por alguns segundos, até que finalmente abriu a boca para perguntar, com a voz rouca:

— Você disse... Quem?

— Marina! — Respondeu Gustavo, com urgência. — Marina pediu para eu trazer este álbum para o senhor. São as fotos dela, desde o nascimento até o primeiro aniversário. Foi Valentina quem encontrou e pediu para entregar.

Lucas levantou a mão com dificuldade, tentando pegar o álbum, mas estava tão fraco que não conseguiu.

Gustavo imediatamente colocou o álbum sobre a cama e ajudou Lucas a se sentar, ajustando dois travesseiros para apoiar suas costas.

Com o corpo encostado nos travesseiros, Lucas, enquanto recebia soro pela veia, começou a folhear o álbum com movimentos lentos.

A primeira foto era de Marina recém-nascida, com a data anotada ao lado.

Na imagem, a bebê, que havia nascido prematura, era tão pequena que mal parecia real. Sua pele estava avermelhada e enrugada, e ela usava um respirador dentro da incubadora. Aquele primeiro registro era de partir o coração.

Página após página, a história de Marina ia se revelando:

Lucas pressionou o álbum contra o peito, posicionando-o exatamente sobre o coração. Suas mãos magras o seguraram com força. As lágrimas, que começaram silenciosas, logo evoluíram para soluços abafados.

O homem que um dia fora tão imponente agora estava reduzido a uma sombra de si mesmo, tão magro e frágil que sua camisa de seda cinza parecia grande demais.

Mesmo nos piores momentos, quando o transtorno de estresse pós-traumático quase o havia levado à loucura, Lucas nunca havia derramado uma única lágrima. Mas agora, abraçando o álbum da filha, ele chorava como uma criança desamparada.

Era como se ele precisasse daquela catarse há muito tempo.

Quando tinha sete anos, Lucas ouvira a mãe e o tio conspirando para transformá-lo em um vegetal por meio de um “acidente planejado”. Naquela época, ele deveria ter chorado como agora, mas não o fez. O medo e o instinto de sobrevivência o haviam forçado a enterrar sua vulnerabilidade e sua dor.

O choro daquele dia havia ficado trancado dentro do corpo de um garoto que se tornou “Lucas”.

Naquele dia, o pequeno Lucas havia morrido junto com a tentativa fracassada da mãe de torná-lo incapaz.

Agora, 25 anos depois, o Lucas que havia “morrido” renascia, incentivado pelas palavras da filha.

O sol se pôs lentamente, e os soluços de Lucas foram diminuindo.

A luz da lua começou a entrar pelo quarto escuro. A voz rouca de Lucas quebrou o silêncio:

— Entrem em contato com o Dr. Félix. Eu estou disposto a tentar novamente.

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