Eduardo e Isabela estavam aos pés da cama, revezando-se em tentativas incansáveis de convencê-lo.
Lucas, outrora arrogante e imponente, agora permanecia deitado em silêncio, aguardando a morte com uma tranquilidade perturbadora.
O sol do início de agosto, tingido de vermelho pelo entardecer, atravessava a janela e iluminava o rosto de Lucas. Mas aquele brilho rubro era incapaz de trazer cor à sua pele, pálida como papel.
Do lado de fora, ouviu-se o som de um carro. Era Gustavo, que acabara de chegar. Logo, passos apressados ecoaram pelo corredor, ficando cada vez mais altos, até que a porta do quarto foi escancarada.
Gustavo entrou, ofegante, segurando o álbum de fotos que Valentina havia lhe dado.
— Sr. Lucas! Sr. Lucas!
Gustavo raramente agia de forma tão impulsiva. Lucas, que estava prestes a mergulhar em um sono profundo, foi despertado pelo barulho. Lentamente, ele ergueu as pálpebras e dirigiu o olhar para Gustavo, que agora estava parado ao lado da cama.
A testa de Lucas se franziu levemente, um reflexo instintivo do desconforto físico que só piorava.
Gustavo, com os olhos marejados, estendeu o álbum em sua direção.
— Sr. Lucas, olhe isso!
Eduardo e Isabela trocaram um olhar. Ambos tinham certeza de que aquilo era algo enviado por Valentina.
Lucas, no entanto, continuava sem demonstrar nenhuma reação significativa.
Gustavo insistiu:
— É da Marina. Ela pediu que eu entregasse isso ao senhor.
Lucas ficou imóvel por alguns segundos, até que finalmente abriu a boca para perguntar, com a voz rouca:
— Você disse... Quem?
— Marina! — Respondeu Gustavo, com urgência. — Marina pediu para eu trazer este álbum para o senhor. São as fotos dela, desde o nascimento até o primeiro aniversário. Foi Valentina quem encontrou e pediu para entregar.
Lucas levantou a mão com dificuldade, tentando pegar o álbum, mas estava tão fraco que não conseguiu.
Gustavo imediatamente colocou o álbum sobre a cama e ajudou Lucas a se sentar, ajustando dois travesseiros para apoiar suas costas.
Com o corpo encostado nos travesseiros, Lucas, enquanto recebia soro pela veia, começou a folhear o álbum com movimentos lentos.
A primeira foto era de Marina recém-nascida, com a data anotada ao lado.
Na imagem, a bebê, que havia nascido prematura, era tão pequena que mal parecia real. Sua pele estava avermelhada e enrugada, e ela usava um respirador dentro da incubadora. Aquele primeiro registro era de partir o coração.
Página após página, a história de Marina ia se revelando:


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