— Valentina, olha só pra você. — Disse Isadora, analisando o rosto dela. — Essa sua cara entrega tudo. Me diz, você não está se alimentando direito ou descansando como deveria, né?
Valentina suspirou, com uma expressão de leve resignação.
— Foi o frio que deixou meu rosto assim.
— Frio nada! — Rebateu Isadora, sem se convencer. — Você está mais magra. Agora que mergulhou de cabeça no trabalho, parece que nem percebe o quanto está se desgastando. Marcos me contou que, na semana passada, você ainda abriu um ateliê de pintura. Você já tem a empresa pra gerenciar, um estúdio de design pra tocar, e agora ainda inventou um ateliê? Valentina, você não precisa de dinheiro, por que se esforçar tanto assim?
Valentina sorriu, segurando o braço de Isadora com delicadeza.
— O Marcos sempre gosta de exagerar as coisas. — O tom dela era calmo e afetuoso. — Minha querida madrinha, tudo o que estou fazendo agora são coisas que amo. Me sinto realizada todos os dias. Minha vida está exatamente como eu sempre quis. Isso não é algo bom?
Isadora percebeu que discutir com ela era inútil e, por fim, apenas reforçou:
— Desde que você saiu do vilarejo, levou quatro anos pra se recuperar. Só não vá desgastar seu corpo de novo, porque da próxima vez pode ser mais difícil.
Valentina assentiu com um sorriso suave.
— Eu sei até onde posso ir. Não se preocupe.
Quando voltaram do aeroporto para o Retiro das Nuvens, Marina correu para a porta assim que eles entraram.
— Vovô! Vovó!
— Ai, meu Deus, Marina cresceu tanto! — Exclamou Isadora, abaixando-se para ficar na altura da menina. Ela segurou o rosto de Marina com as mãos e deu vários beijos carinhosos. — Sentiu saudades da vovó?
— Senti, sim! — Respondeu Marina com sua vozinha doce. — E você, vovó? Sentiu saudades de mim?
— É claro que senti! — Isadora sorriu, tirando quatro grandes pacotes de uma sacola. Dois foram entregues a Marina, e os outros dois, a Noah. — Aqui estão os presentes de Natal que eu e o vovô trouxemos para vocês. Que vocês cresçam fortes, saudáveis e felizes, sempre!
— Obrigado, vovó! Obrigado, vovô! — Disse Noah, com um sorriso tímido.
— Obrigada, vovó e vovô! — Repetiu Marina, com a energia de sempre.
Isadora olhou para Noah. Ela se lembrou de como ele era na primeira vez que o viu: tímido, inseguro e tão magrinho que chegava a partir o coração.


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