Marcos foi até a recepção para cuidar da internação, enquanto Eduardo acompanhou Valentina e Marina até o quarto.
Era um quarto privativo, e Eduardo já havia falado com a enfermeira-chefe para que elas recebessem uma atenção especial nos próximos dias.
Marina, claramente desconfortável por estar doente, estava especialmente manhosa e inquieta. Com a febre alta, ela estava sonolenta e confusa, mas quando ouviu que a enfermeira viria para aplicar uma injeção, começou a chorar e a fazer birra, recusando-se a colaborar de qualquer maneira.
Valentina tentou de tudo para acalmá-la, mas não conseguiu. Quando Marcos chegou, também não foi capaz de convencê-la.
— Eu não quero injeção! — Marina chorava e berrava. — Uuuuu… Não quero!
— Sem a injeção, você não vai melhorar, meu amor. — Valentina disse com uma voz doce. — Essa enfermeira é muito boa, não precisa ter medo.
— Eu não quero! — Marina gritou, segurando com força a gola da roupa da mãe com suas mãozinhas pequenas, recusando-se a soltá-la. — Não quero injeção! É muito dolorido!
Marcos tentou intervir:
— Então, morde a minha mão. Quando você sentir dor, pode me morder. Assim, a dor passa pra mim.
— Mentira! — Marina fungou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu quero o papai! Mamãe, liga pro papai! Eu quero que ele venha ficar comigo...
Valentina segurava a filha nos braços, com a cabeça doendo e sem ideia do que fazer.
Quando Luiz chegou ao quarto, ouviu os gritos desesperados de Marina do lado de fora. Ela chorava alto, dizendo que só aceitaria a injeção se o pai estivesse presente.
Luiz ficou parado à porta, com as mãos ao lado do corpo se apertando em punhos silenciosos.
Dentro do quarto, Valentina e Marcos se revezavam tentando convencer Marina, mas ela não cedia.
Sem mais opções, a enfermeira sugeriu:
— Talvez seja melhor segurá-la com firmeza. Eu prometo que vou ser rápida.
Ao ouvir isso, Luiz não conseguiu mais se conter. Ele deu alguns passos e entrou no quarto.
— Sra. Valentina.
Valentina levantou os olhos, surpresa ao vê-lo.
— Luiz? O que você está fazendo aqui?
Luiz a olhou com calma e respondeu:
— Eu pensei em passar aqui para ver se a senhora precisa de alguma ajuda.
— Por enquanto, está tudo sob controle. Você pode organizar seu tempo livre como preferir.
Para sua surpresa, funcionou!
Quando Marina chegou no número três, ela de repente parou e disse, maravilhada:
— Quando eu contei até três, já não senti mais dor!
A menina, ainda com lágrimas nos olhos, ergueu a cabeça para olhar Luiz. Seus grandes olhos brilhavam enquanto ela dizia:
— Tio Luiz, eu nem precisei contar até cinco!
Luiz olhou para Marina com uma expressão de ternura indescritível. Sua voz saiu rouca, mas carregada de gentileza:
— Então você é mais forte do que o filho do meu irmão. Ele sempre precisa contar até cinco.
— Claro que sou! — Marina respondeu, com um pequeno orgulho que fez desaparecer o medo de tomar injeção. — Meu papai sempre diz que eu sou muito forte!
Luiz engoliu em seco, seu pomo de adão se movendo visivelmente.
— Ele está certo. Você é muito forte.
Valentina assistia a cena em silêncio, seus olhos fixos em Luiz, com uma expressão que misturava surpresa e reflexão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...