Quando Marina acordou, Valentina estava ao celular. Ela estava de pé, próxima à janela, de costas para a cama.
A menina, quietinha, ficou observando a mãe. Ela sabia que Valentina estava ocupada, mas sentia muita sede e queria beber água.
— Mamãe...
Valentina ouviu a vozinha e virou-se. Na mesma hora, a porta do quarto foi aberta de repente, e uma figura vestida toda de preto entrou apressada. Antes que Valentina pudesse reagir, ele já estava ao lado da cama de Marina.
— Marina, o que você quer fazer?
Valentina parou no lugar, com os pés fixos no chão.
Era de se imaginar que Luiz, todo de preto, com chapéu e máscara escondendo quase todo o rosto, assustaria qualquer criança. Mas, por alguma razão, Marina parecia confiar nele instintivamente.
— Tio Luiz, eu quero água.
A voz de Luiz suavizou-se imediatamente.
— Claro, não se mexa. Vou pegar água para você.
— Obrigada, tio Luiz. — A voz de Marina saiu baixinha e doce. Ela estava deitada na cama, tão pequena e frágil que só de olhar dava uma vontade imensa de protegê-la.
Luiz passou a mão de leve no rostinho dela. Quando ele se virou para pegar a água, deu de cara com o olhar de Valentina.
Ele parou por um momento, e seus olhos negros transpareceram um breve lampejo de nervosismo.
— Vi que a senhora estava ocupada. Achei melhor ficar atento para que a menina não se mexesse demais e acabasse puxando a agulha.
Valentina manteve a expressão tranquila e esboçou um leve sorriso.
— Entendi.
Luiz ficou surpreso com a resposta.
— Tio Luiz.
A voz de Marina o chamou de volta. Ele virou-se rapidamente e encontrou os olhinhos dela, que agora pareciam muito ansiosos.
— A água.
— Já vou pegar.
Luiz pegou o copo térmico infantil cor-de-rosa que estava na mesa. Ele abriu a tampa, desceu a grade da cama e se inclinou para ajudar Marina a se ajeitar. Ele a segurou com cuidado, deixando-a meio reclinada, e aproximou o canudo da boca dela.
— Beba devagar, para não se engasgar.
Marina abaixou a cabeça e tomou metade do copo de água morna. Sentindo-se muito melhor, ela olhou para Luiz e sorriu com os olhos brilhando.
— Tio Luiz, estou bem melhor. Obrigada!
— Mamãe, eu vou me comportar. O tio Luiz vai ficar aqui comigo. Não se preocupe!
Valentina sorriu e disse:
— Eu volto logo.
...
Depois que Valentina saiu do quarto, Luiz sentou-se na cadeira ao lado da cama.
Marina ficou olhando para ele com curiosidade. Seus olhos, tão parecidos com os da mãe, brilhavam cheios de perguntas.
— Tio Luiz, por que você usa chapéu e máscara o tempo todo?
A voz de Luiz saiu calma e gentil.
— Tenho uma cicatriz no rosto. É feia e pode assustar as pessoas. Por isso, eu cubro.
— Eu sou muito corajosa! — Marina respondeu com confiança, batendo de leve no próprio peito com a mãozinha livre. — Eu sou a irmã mais velha que protege o meu irmãozinho. Não tenho medo de nada!
Luiz sorriu e bagunçou de leve os cabelinhos dela com a mão grande.
— Você é muito corajosa mesmo. Mas essa cicatriz é bem feia. Eu mesmo não gosto de deixá-la à mostra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...