Luiz com certeza estava escondendo algo dela.
Dulce, vendo que Valentina permanecia em silêncio, perguntou:
— Valentina, você está bem?
— Estou. — Valentina respondeu com um tom indiferente. — Pessoas de fora costumam vir para a ilha?
— Muito raramente. — Dulce explicou. — Nossa ilha é bem isolada, quase ninguém vem até aqui.
Ao ouvir isso, Valentina não fez mais perguntas.
— Estou um pouco cansada, me leve de volta.
— Claro.
Dulce guiou Valentina de volta para o quarto.
Assim que Valentina se deitou na cama, fechou os olhos.
Dulce, percebendo que ela realmente parecia exausta, ajeitou o cobertor sobre ela e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
O som da porta se fechando ecoou pelo quarto silencioso. Valentina, então, abriu os olhos devagar.
A cegueira, o mundo mergulhado em escuridão, fazia com que até sair sozinha daquele quarto fosse uma tarefa impossível.
Ela não pôde evitar pensar nos dois filhos. Será que eles sentiam falta dela? Será que eles estavam chorando, perguntando por que a mãe não atendia nem aparecia para vê-los?
Uma onda de desespero tomou conta dela.
De Lucas, no passado, a Bastian, no presente, todos pareciam ter o poder de destruir sua vida e deixá-la num completo caos.
Valentina estava cansada… Muito cansada.
…
Luiz voltou para Ilha Bela na manhã seguinte, justo quando Valentina havia acabado de pegar no sono.
O som da porta se abrindo a despertou. Ela ouviu passos se aproximando e soube na mesma hora que era Luiz.
Ele parou ao lado da cama, observando Valentina, que ainda mantinha os olhos fechados. Luiz ficou em silêncio por um momento antes de falar:
— Sra. Valentina, eu sei que a senhora não está dormindo.
— Sra. Valentina, por favor, confie em mim. Não importa o que eu faça, eu nunca a trairei.
Valentina soltou uma risada curta e amarga.
— Tudo bem, eu acredito em você.
Ela não tinha escolha. Agora, cega e dependente das pessoas ao seu redor, o que mais poderia fazer além de acreditar?
No final, era isso. Depois de tanto fugir, tanto lutar, ela havia voltado ao ponto de partida.
Valentina fechou os olhos novamente. A frase que martelava em sua mente, “Você é o próprio Lucas”, foi enterrada em silêncio no fundo do seu coração.
Nada mais importava. Nem Bastian, nem Lucas. Nenhum deles havia aprendido a respeitá-la de verdade.
E Valentina, por sua vez, nunca havia experimentado a verdadeira liberdade, nunca havia se libertado completamente.
Sua vida parecia ter chegado a um beco sem saída.
A escuridão que dominava seus olhos era como a parede intransponível daquele beco, enquanto atrás dela, os ladrões continuavam a persegui-la.
Ela não tinha para onde correr. Ela não tinha para onde fugir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...