— Transplante de medula óssea... — Bastian fixou o olhar na figura debilitada de Valentina sobre a cama. Seus olhos estavam sombrios, como um céu prestes a desabar. — Eu entendi. Você pode sair.
O médico estrangeiro assentiu discretamente e saiu do quarto sem dizer mais nada.
Bastian sentou-se ao lado de Valentina e levantou a mão para tocar sua testa. A febre havia diminuído, mas ela ainda estava quente.
Valentina franziu a testa e, com esforço, abriu os olhos pesados.
— Você acordou. Quer beber um pouco de água? — Perguntou ele, com a voz baixa.
— Quero.
Bastian pegou um copo de água, colocou um canudo e o aproximou dos lábios dela.
Valentina tomou alguns goles e sentiu-se um pouco mais lúcida.
Ela então olhou para ele, com a voz ainda fraca, mas carregada de curiosidade.
— Acho que ouvi você falando com o médico sobre me levar para a Suíça. É verdade?
— Sim. — Bastian colocou o copo na mesa de cabeceira, ao lado da cama. — Meu pai, antes de morrer, investiu em um instituto de pesquisa por lá. Talvez eles consigam desenvolver um tratamento para sua doença.
Valentina prendeu a respiração. Então era verdade. Não havia sido um sonho. Bastian realmente planejava levá-la para a Suíça.
O instituto de Sandro poderia desenvolver um tratamento para leucemia? Se realmente fosse possível, por que Sandro teria se esforçado tanto para voltar e lutar pelo controle do Grupo Montenegro?
Não, Valentina sabia que aquilo não fazia sentido. Bastian, na verdade, estava planejando transformá-la em outra Milena.
Um calafrio percorreu suas costas, gelando-lhe até os ossos.
Isso tornava o casamento no dia seguinte ainda mais crítico.
De qualquer forma, ela precisava ganhar tempo e garantir que os planos de Lucas e os outros dessem certo.
Mas, antes disso, ela sabia que precisava continuar representando seu papel.
— Eu não quero ir para a Suíça. — Valentina olhou diretamente para Bastian, com firmeza. — Ouvi o médico dizer que o transplante de medula óssea é o tratamento mais eficaz para meu caso, mas a compatibilidade é muito baixa. Bastian, eu não quero ser uma cobaia, como sua mãe foi. Quero partir de maneira digna. Por favor.
— Valentina, não diga essas bobagens. — Bastian levantou a mão e acariciou o rosto dela, com um toque inesperadamente suave. — Se você morrer, muitas pessoas irão com você.
Valentina cravou os olhos nele, cheia de indignação. Lá estava ele novamente, ameaçando-a.
— Bastian, você se esqueceu de por que odiava Sandro? Você não suportava ver sua mãe sendo usada como cobaia por ele, mas agora quer me levar para o mesmo instituto e me transformar em outra cobaia. Eu não quero viver assim, em dor constante. Se você insistir, eu vou odiar você. Mesmo depois de morta, vou continuar te odiando!
A determinação de Valentina era clara. Ela não estava brincando.
— Bastian, você realmente acha que eu vou acreditar em você só por causa de um relatório?
— Pense um pouco. — Bastian guardou o celular de volta no bolso e a observou, com um sorriso leve e enigmático nos lábios. — Lembra-se do dia em que você acordou no hospital na Cidade H?
Cidade H... O hospital...
Valentina franziu o rosto, tentando se lembrar.
— Se você não acredita em mim, posso pedir que Zita venha aqui e explique tudo.
Valentina segurou a cabeça com as mãos. Ela não conseguia acreditar em nada do que ouvia.
Bastian havia perdido completamente o juízo! Como ele pôde...
Sem perder tempo, Bastian chamou Zita ao quarto.
Zita, ao entrar, ficou surpresa. Não esperava que Bastian contasse tudo a Valentina na véspera do casamento.
Ela parou ao pé da cama e olhou para Valentina, que estava ainda mais pálida, com uma expressão de absoluto terror.
O coração de Zita estava em pedaços. Ela não sabia o que dizer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...