Bastian estava sentado no banco do motorista, com gotas de sangue escorrendo da testa.
Mas ele ria. Um riso frio, sombrio e desesperador.
— Valentina, seja boazinha. Volte. Se der mais um passo, eu não terei escolha a não ser atirar.
Valentina o encarava diretamente, sem desviar o olhar.
Aquela arma apontada para ela era aterrorizante, e o medo era inevitável. Mas, tendo chegado até ali, como poderia voltar atrás?
— Bastian, eu não vou voltar.
Valentina levantou as mãos e, com um movimento decidido, retirou o véu. Em seguida, tirou os brincos e arrancou o colar do pescoço.
Com o dorso da mão, ela limpou o batom dos lábios, deixando apenas a palidez de sua pele. Seus olhos fixos em Bastian expressavam uma determinação inabalável.
— Eu prefiro morrer a ser sua noiva.
Os olhos de Bastian ficaram vermelhos, cheios de fúria e dor.
— Valentina, você é realmente cruel.
Valentina sorriu, um sorriso vazio como se já não sentisse mais nada. Ela se virou e continuou caminhando, sem hesitar.
Bang!
O som do disparo cortou o silêncio. Uma bala atingiu o chão, bem ao lado de seus pés.
Valentina parou por um breve momento, um reflexo natural diante do perigo iminente. Mas, no instante seguinte, ela segurou a barra do vestido de noiva, agora sujo de lama, e continuou andando.
Bang!
Um segundo tiro ecoou. A bala passou raspando e atingiu o tronco de uma árvore próxima, fazendo estilhaços de madeira voarem.
Valentina manteve-se impassível. O rosto era uma máscara de resignação, como se tivesse aceitado seu destino.
Ela deu mais um passo. Depois outro. E mais outro.
O chão lamacento manchava a barra do vestido, e seu corpo estava exausto, mas seus passos eram firmes, determinados.
Aquela silhueta que se afastava parecia tão frágil, tão pequena. Ainda assim, havia algo nela que exalava uma coragem indomável, uma força que desafiava até mesmo a morte.
— Valentina!! — O grito de Bastian soou como um trovão, cheio de raiva e desespero.
Ele descarregou todas as balas, mas nenhuma atingiu Valentina.
Bastian havia perdido o controle. Ele jogou a arma no chão e saiu correndo atrás dela.
— Eu não vou deixar você ir! Se for para morrer, você vai morrer ao meu lado!
Valentina começou a correr. Ela entrou na floresta, ignorando os galhos que arranhavam sua pele e o peso do vestido encharcado. Atrás dela, Bastian a seguia, implacável.
À sua frente, porém, não havia saída. Apenas um penhasco.
Valentina parou. Ela estava sem fôlego, mas quando viu o abismo à sua frente, soltou uma risada amarga.
Talvez aquele fosse o seu destino.
Valentina sabia que, mesmo sem aquela fuga, seu corpo não aguentaria muito mais tempo.
Bastian tentou se aproximar, mas sua voz saiu trêmula, quase implorando.
— Valentina, vem para cá. Esse lugar é perigoso. Não fique aí, por favor...
Ela sorriu, um sorriso fraco, e balançou a cabeça.
— Bastian, se houver uma próxima vida, eu espero que você seja para sempre aquele Bastian do vilarejo. Aquele que salvava vidas, gentil e educado.
Os olhos de Bastian estavam vermelhos como sangue. A chuva e as lágrimas escorriam pelo seu rosto, misturando-se.
— Valentina, você acha que eu não quero ser aquele Bastian? Eu queria! Mas foi você! Foi você quem não me deu escolha! Foi você quem me obrigou a ser assim!
— Talvez tenha sido... — Valentina murmurou, com um sorriso triste. — Então, coloque a culpa em mim. Diga que fui eu quem arruinou você. Agora que estou doente, diga que é o meu castigo. Mas, por favor, Bastian, deixe os meus filhos em paz.
— Não... — Bastian balançou a cabeça, os olhos cheios de loucura. — Se você morrer, eu farei seus filhos pagarem por isso! Eles vão morrer com você!
Valentina prendeu a respiração. Naquele momento, ela percebeu que era ingênua. Como poderia esperar que um demônio tivesse compaixão?
Ela levantou o rosto para ele, os olhos cheios de decisão.
— Bastian, se houver uma próxima vida, eu espero nunca mais te encontrar.
Valentina deu dois passos para trás, e então, com um último olhar para o céu, deixou-se cair.
— Valentina! Valentina!! — O grito de Bastian ecoou pela montanha, misturando-se ao som da chuva e do vento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...