Lucas ajudou Valentina a se sentar na cama.
Valentina pegou o copo de água que ele entregou e tomou os remédios que a enfermeira havia recomendado para o dia. Enquanto engolia os comprimidos, perguntou:
— Quando poderemos voltar para casa?
Eles estavam fora há muito tempo, e ela já sentia uma enorme saudade dos dois filhos.
Diante de tudo o que aconteceu, Valentina sabia que o simples fato de estar viva já era uma sorte tremenda. No entanto, ela também entendia que as chances de encontrar uma medula compatível eram mínimas. Mesmo assim, se fosse para morrer, ela desejava voltar à sua terra natal, pois o sentimento de voltar às raízes é algo que todos carregam no coração.
— Assim que seu corpo estiver um pouco mais estável. — Respondeu Lucas enquanto pegava o copo vazio e o colocava sobre a mesa. Ele olhou para ela e perguntou. — Quer fazer uma videochamada com as crianças?
Os olhos de Valentina brilharam de entusiasmo.
— Claro que quero! Mas... Como eu estou? Ainda pareço uma doente?
— Está muito melhor do que há alguns dias. — Disse Lucas com um leve sorriso. — Agora que tudo acabou, Valentina, você e as crianças estão em segurança.
Valentina apertou os lábios, ficando em silêncio por um momento antes de perguntar:
— Encontraram o corpo do Bastian?
— O penhasco dá direto no mar. Procuraram por três dias, mas não acharam nada. É provável que ele tenha sido devorado por animais marinhos.
Ao ouvir isso, Valentina permaneceu em silêncio, com os pensamentos distantes.
Depois de um tempo, perguntou novamente:
— E a Zita?
— Ela teve sinais leves de aborto espontâneo. Está no hospital, em repouso. Por enquanto, o quadro dela é estável.
— Quero ir vê-la.
Lucas pensou por um instante antes de responder:
— Espere mais alguns dias. Que tal antes disso você ligar para as crianças e fazer uma videochamada com elas?
Valentina assentiu.
— Sim, quero.
Ainda assim, ela temia que as crianças percebessem sua doença. Por isso, puxou o xale para cima, cobrindo a roupa de paciente. Também decidiu sair da cama e sentar-se no sofá ao lado, onde o cenário parecia menos “hospitalar”. Depois de ajustar o celular numa posição fixa, ela iniciou a videochamada.
O vídeo foi atendido rapidamente, e o primeiro rosto que surgiu na tela foi o de Marcos!
Marcos chegou ao quintal e virou a câmera para os dois filhos de Valentina.
No vídeo, Marina estava montada nas costas do Bolinha, que estava deitado no chão. Ela segurava uma pequena escova em uma mão e, com a outra, puxava um punhado de pelos do cachorro.
— Bolinha, fica quieto! Quanto mais você se mexe, mais vai puxar os pelos! E vai doer, sabia?
Marcos murmurou:
— Olha isso. A Marina nem deixa o Bolinha se defender!
Valentina balançou a cabeça.
— Deixa eu falar com ela. Dá o celular para ela.
Marcos abaixou-se ao lado da menina e estendeu o celular em sua direção.
Como ninguém havia avisado Marina sobre a ligação, no começo ela nem prestou atenção no celular que o padrinho segurava. Estava concentrada em sua “obra de arte”, sem levantar os olhos nem por um segundo.
Marcos aproximou mais o celular do rosto dela, tentando chamar sua atenção.
— Ei, padrinho, tira isso da minha frente! Não está vendo que estou ocupada? Estou fazendo o penteado do Bolinha! — Reclamou Marina, com o tom impaciente de quem estava muito concentrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...