O Bentley preto deslizava pela avenida da cidade.
Dentro do carro, Marcos estava no banco do passageiro. Ele hesitou por um longo tempo, mas acabou não segurando a língua e perguntou:
— Você e aquela Carolina… Qual é a história de vocês? Vocês realmente se casaram no papel?
— O casamento foi anunciado. Se assinamos ou não, aos olhos de todos dá na mesma, né?
Marcos coçou o nariz, meio desconfortável.
— É, faz sentido. Agora toda Cidade B, aliás, o país inteiro já sabe que você virou o genro da família Albuquerque.
Lucas permaneceu em silêncio.
Marcos percebeu que ele não queria falar mais nada e bufou, irritado.
— Lucas, eu sei que entre você e Carolina é tudo um acordo, mas são dez anos! Dez anos, cara! Quantos anos uma pessoa tem na vida? Você tem confiança demais em si mesmo ou acha que a Valentina vai te esperar todo esse tempo?
— Eu não pensei nisso. Naquele momento, eu só tinha uma coisa na cabeça: conseguir a medula e salvar a vida dela.
— E o que você conseguiu em troca foi, no máximo, a culpa da Valentina. Mas culpa, Lucas, não significa nada! A Valentina não vai te esperar por dez anos. Ainda mais agora, com aquele Nicolas correndo atrás dela sem descanso. Você sabe que a Valentina é lenta para se abrir, mas dez anos? É tempo mais que suficiente para ele conquistar ela.
Lucas apertou os lábios finos, e suas mãos seguraram o volante com mais força.
— Se o Nicolas puder fazê-la feliz, eu vou abençoá-los.
— Ah, para com isso! — Marcos revirou os olhos. — Nós dois somos homens, Lucas. Amar significa querer possuir. Enquanto você amar a Valentina, sempre vai ter esperança, mesmo que seja uma fagulha. Sabe o que você é? Um hipócrita. Se você realmente quisesse deixar a Valentina seguir em frente, nunca teria contado para ela sobre o acordo. A Valentina é boa demais, mole demais. Mesmo que ela pareça firme e decidida por fora, no fundo, ela vai sentir que te deve algo. — Marcos suspirou profundamente. — Que tragédia… Um simples acordo e duas pessoas presas para sempre!
Lucas respirou fundo, a tensão visível em seu rosto.
— Eu só queria salvá-la. Naquele momento, não havia outro doador compatível. O tempo era curto. Sobre o acordo… Eu queria manter isso em segredo, mas não esperava que a Carolina fosse lá e contasse tudo para ela.
— Olha, tem uma coisa que eu realmente admiro em você. — Marcos usou um tom irônico. — Como você consegue atrair tantas encrencas amorosas?
Lucas franziu a testa.
— Aquela Carolina, uma mulher tão bem-sucedida, uma empresária de mão cheia, e ainda assim virou uma boba apaixonada?
— Ela não está apaixonada por mim. É tudo interesse. Nosso relacionamento é puramente estratégico. Até hoje, nós dois vivemos separados. Eu moro na Villa Monteverde.
Enquanto isso, Lívia estava no exterior. Valentina conseguiu falar com ela uma vez.
No telefonema, a voz de Lívia soava cansada. Ela explicou que já havia se matriculado na Universidade de Sydney e que, por enquanto, não tinha planos de voltar ao país.
Valentina, ao ouvir aquilo, imediatamente entendeu que a briga entre Lívia e Eduardo dessa vez tinha sido séria.
Lívia era teimosa, mas nunca chegaria ao ponto de deixar o pequeno Tomas para trás. Porém, dessa vez, ela saiu do país sem avisar ninguém, o que significava que a decisão tinha sido tomada às pressas e com muita convicção.
Valentina tentou tranquilizá-la com algumas palavras e decidiu que, depois de organizar o funeral de Zita, encontraria um tempo para ir à Austrália e entender melhor a situação.
…
O funeral de Zita foi simples, mas todos os rituais necessários foram realizados.
Três dias depois, sob uma fina chuva de primavera, Zita foi enterrada.
Valentina, vestida com roupas pretas e sóbrias, estava de pé sob um guarda-chuva preto. Sua figura parecia ainda mais magra e frágil sob o céu cinzento.

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