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Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais romance Capítulo 749

A chuva forte caía sobre o rosto de Lucas, misturando-se às lágrimas que ele nem sequer percebia mais.

Lucas cavava sem descanso, sem se importar com as dores nas mãos, até que finalmente conseguiu alcançar o para-brisa do carro. No entanto, o interior estava escuro, e por mais que ele gritasse, ninguém respondia.

Ele limpou a lama com as mãos, desesperado. Sem pensar duas vezes, cerrou o punho, pronto para quebrar o vidro com as próprias mãos.

— Lucas!

A voz fez seu corpo congelar no mesmo instante.

Lucas parou o movimento, ainda com o punho fechado, e virou-se devagar.

Um feixe de luz surgiu atrás dele, iluminando sua figura completamente encharcada e coberta de lama.

O tempo pareceu parar.

No meio do vento e da chuva, uma mulher apareceu, segurando um guarda-chuva. Ela caminhava em sua direção, com passos lentos e cuidadosos, sobre o chão úmido e lamacento.

Lucas virou-se completamente, ainda atordoado, enquanto ela se aproximava.

A mulher estava de costas para a luz, a sombra do guarda-chuva obscurecendo o rosto dela.

Os faróis do carro ofuscaram os olhos de Lucas, que precisou apertá-los para enxergar melhor. Ele cambaleou ao se levantar, ainda instável, e começou a andar, depois a correr na direção dela.

Valentina parou, olhando para ele.

Nos últimos passos, Lucas desacelerou, piscando com força para clarear a visão. Quando finalmente conseguiu distinguir o rosto dela, o homem parou, ofegante.

Os lábios pálidos de Lucas se entreabriram, e seu peito subia e descia com a respiração pesada, carregada de alívio e desespero.

Num movimento abrupto, Lucas avançou e a envolveu com força em seus braços.

As silhuetas dos dois se fundiram na luz dos faróis, projetando uma única sombra sobre a pilha de lama atrás deles.

Por um momento, parecia que o mundo inteiro havia desaparecido, restando apenas os dois.

O guarda-chuva de Valentina inclinou-se por um instante, permitindo que a chuva gelada caísse sobre ela.

Ela estremeceu com o frio, mas logo ajustou o guarda-chuva e apertou o cabo com mais força.

Lucas estava completamente encharcado, mas seus braços a envolviam com tanta força que ela quase não conseguia respirar.

— Valentina… Você me assustou tanto… Eu pensei que… — A voz de Lucas tremia, quebrada pela emoção.

Ele fechou os olhos, incapaz de terminar a frase. Ele não queria verbalizar os pensamentos sombrios que haviam tomado conta de sua mente.

O sentimento de tê-la perdido e, ao mesmo tempo, tê-la encontrado novamente fazia o sangue dele ferver como nunca antes.

Os últimos minutos haviam sido um inferno que ele jamais queria reviver.

Lucas não conseguia se controlar. Ele só queria segurá-la, abraçá-la, não soltá-la nunca mais, como se ela fosse o bem mais precioso de sua vida.

Valentina franziu levemente as sobrancelhas. O abraço era tão apertado que ela começava a sentir dificuldade para respirar.

— Lucas, você pode me soltar primeiro? — Ela sugeriu com a voz baixa.

— Não vou soltar, Valentina. Nunca mais. — A voz dele estava rouca, carregada de uma teimosia quase infantil. — Mesmo que você me odeie no futuro, eu não vou deixar você ir novamente.

Valentina suspirou, resignada.

— Você está molhando toda a minha roupa.

Lucas congelou por um momento, como se só então percebesse o que estava fazendo.

Valentina notou que os braços dele afrouxaram ligeiramente.

Ela curvou os lábios num leve sorriso e disse, com um tom descontraído:

— Se eu pegar um resfriado, Frederico vai brigar com você.

Lucas imediatamente a soltou e deu um passo para trás, com um ar um tanto culpado.

— Desculpa… Eu me empolguei demais.

— Não tem problema. — Valentina respondeu tranquilamente.

Ela deu uma olhada ao redor. Aquele lugar, com aquele clima, definitivamente não era seguro para permanecer por mais tempo.

Valentina ergueu o guarda-chuva, protegendo também a cabeça de Lucas, e disse com a voz suave:

— A equipe de resgate já está no pé da montanha. Este lugar é perigoso. Outro deslizamento pode acontecer a qualquer momento. Vamos descer.

Lucas a encarou profundamente por alguns segundos antes de concordar com um leve aceno de cabeça.

— Certo.

Valentina lançou um olhar para as mãos dele, que estavam cobertas de sangue e feridas. Suas sobrancelhas se franziram.

— Vamos no seu carro. Com as mãos desse jeito, você não consegue dirigir.

Lucas escondeu as mãos atrás do corpo, sua expressão rígida.

— Não é nada. São só machucados leves.

Valentina o encarou por um momento, mas decidiu não discutir com ele.

— Descemos primeiro, depois resolvemos isso.

A descida foi feita no carro dirigido por Jane.

— Lucas, agora eu já sei que você e Carolina nunca se casaram oficialmente. Também sei de todos os sacrifícios que você fez por mim. Quanto a essa situação de hoje à noite, foi tudo uma armação da Carolina. Ela fez isso para te ajudar.

Lucas ficou surpreso com as palavras dela, piscando algumas vezes, incrédulo.

— Você fez tudo isso por mim, e eu me sinto tocada. — Valentina continuou, olhando para ele. Seus olhos brilhantes refletiam o rosto pálido, mas ainda assim atraente, de Lucas. — Mas primeiro você precisa se recuperar. Depois disso, podemos conversar com calma.

Lucas sentiu um brilho de esperança invadir seus olhos.

— Certo.

— Agora eu preciso checar como está a Lívia. — Valentina explicou. — Fique aqui esperando o Gustavo. Suas mãos ainda precisam de cuidados, e você vai precisar tomar os antibióticos antes de sair. Não vai ser tão rápido.

Lucas assentiu, concordando.

— Tá bom.

Valentina deu meia-volta, pronta para sair, mas, de repente, sentiu seu pulso ser segurado.

A enfermeira soltou um pequeno grito de surpresa:

— Ei, o que está fazendo? A bandagem ainda não está pronta!

Valentina virou-se de volta para Lucas, com a testa franzida.

— Lucas, solte minha mão. Seu ferimento está sangrando de novo!

Mas Lucas ignorou o aviso. Ele a encarou com seus olhos negros e intensos, a voz saindo baixa e carregada de emoção:

— Você está com o Nicolas?

Valentina ficou atônita com a pergunta, sem saber como responder por um instante.

Lucas não desviou o olhar, insistindo:

— Me diga, Valentina. Me diga que você e ele não estão juntos. Não estão, certo?

Ela viu o brilho vermelho nos olhos dele, que refletiam uma mistura de ansiedade e vulnerabilidade.

Valentina suspirou, sentindo-se dividida. Ela achava que Lucas estava se tornando cada vez mais emotivo, diferente do homem calculista e frio que ela conhecia.

— Pare de imaginar coisas. Eu e Nicolas somos apenas amigos.

As palavras dela fizeram o coração de Lucas relaxar imediatamente.

Ele sentiu um calor intenso se espalhar por seu peito, como se estivesse voltando a respirar depois de muito tempo sem ar.

Os olhos de Lucas ficaram levemente úmidos. Ele engoliu em seco, enquanto sua voz saía firme e cheia de determinação:

— Valentina, eu não vou te soltar mais. Não importa o que me digam, eu nunca mais vou deixar você ir.

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