— Papai... — A voz suave de Marina chamou.
— Shhh. — Lucas saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. — Sua mãe ainda está dormindo.
Ele pegou a filha no colo e a levou para o quarto ao lado.
Noah já estava acordado e, como de costume, escovava os dentes sozinho no banheiro.
Lucas colocou Marina na cama e disse:
— Vou pegar um vestidinho para você. Troque de roupa, escove os dentes e lave o rosto. Depois, eu levo você e seu irmão para tomarmos café da manhã.
Marina balançou os pezinhos animadamente, piscando os olhos brilhantes.
— E a mamãe?
Lucas acariciou os cabelos dela com um sorriso.
— Mamãe trabalhou até tarde ontem à noite. Ela precisa descansar hoje. Depois do café da manhã, a gente leva algo para ela.
— Papai, como você deixou a mamãe trabalhar tão tarde assim? — Marina franziu a testa, olhando para ele com reprovação. — Mamãe não pode se cansar tanto!
Lucas riu sem graça.
— Foi erro meu. Prometo que vou cuidar melhor dela e não vou deixar que isso aconteça de novo.
— Hmm, tá bom. — Marina assentiu com determinação. — Papai, você tem que cuidar bem da mamãe. Ela acabou de ficar boa. Se o trabalho dela for muito difícil, você tem que ajudar, tá?
Lucas não conteve o sorriso e respondeu:
— Pode deixar. Eu entendi.
De repente, Marina apontou para o pescoço dele, onde havia uma pequena marca de mordida.
— Papai, o que aconteceu aqui? Por que você se machucou?
Lucas ficou surpreso por um instante. A cena da noite anterior passou pela sua mente: Valentina, chorando e dizendo “chega”, havia mordido ele de leve, frustrada.
Ele engoliu em seco e rapidamente abotoou a camisa até o último botão.
— Foi só um arranhão, nada demais. Agora vou pegar seu vestido.
— Tá bom! — Marina respondeu, sorrindo.
Lucas abriu a pequena mala rosa de Marina e tirou um vestido cor-de-rosa estilo princesa.
— Marina, papai e o Noah são meninos. Na hora de trocar de roupa, você tem que ir ao banheiro, tá bom?
— Eu sei! — Marina abraçou o vestido e respondeu com um sorriso travesso. — Mamãe já me ensinou isso faz tempo. Ela sempre fala que meninos e meninas são diferentes.
Lucas riu da maturidade precoce da filha.
Noah saiu do banheiro logo depois. Ele já tinha terminado de se arrumar, com o rostinho limpo e cheio de energia. A cada dia que passava, os traços dele ficavam mais parecidos com os de Lucas.
— Bom dia, papai. — Noah falou com seriedade.
Lucas notou o quanto o filho, aos cinco anos, começava a desenvolver uma personalidade independente e mais reservada. Não era mais aquele menininho que corria para pedir colo o tempo todo.
Lucas bagunçou os cabelos do filho com carinho e respondeu:

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