As mãos de Carolina apertaram levemente o cabo dos talheres.
— Nicolas, você pode achar que está tudo bem, mas eu não concordo.
Nicolas a encarou, seus olhos fixos nos dela.
— Está me dizendo que você realmente quer voltar a trabalhar no Grupo Albuquerque?
— Sim.
Nicolas soltou uma risada fria.
— Então espere até termos o segundo filho.
Carolina respirou fundo, tentando conter a raiva.
— Preparar o corpo, engravidar, passar pelos nove meses de gestação e o período de recuperação pós-parto... No mínimo dois anos.
— A vida é longa, Carolina. Dois anos não fazem diferença. — Nicolas pegou o guardanapo, limpou a boca e se levantou. — E pode ficar tranquila, vou cuidar muito bem do Grupo Albuquerque. A família Pires é grande e poderosa, eu não preciso engolir o seu Grupo Albuquerque.
— Não foi isso que eu quis dizer, eu só...
— Estou saindo. — Nicolas pegou o celular na mesa. — Já pedi para minha assistente marcar uma consulta com um especialista. Amanhã de manhã vou te acompanhar ao hospital para os exames.
— Nicolas!
Ele virou as costas e saiu sem olhar para trás.
O som dos talheres batendo com força no prato ecoou pela sala de jantar. Carolina observou o marido sair, seus olhos fixos em suas costas enquanto o peito subia e descia em um ritmo furioso.
Nicolas queria que ela fosse uma dona de casa em tempo integral, uma esposa obediente e dócil.
Mas ser essa “esposa perfeita”, que passava os dias sem fazer nada significativo, fazia com que Carolina se sentisse inquieta, perdida em seus próprios pensamentos.
Ela queria trabalhar, ocupar a mente, sentir que a vida tinha propósito.
Não era sobre fama ou poder, nunca foi isso que ela buscou.
Mas, infelizmente, Nicolas ainda não a entendia. E talvez, nunca entenderia.
…
Quando Carolina ligou para Valentina, esta havia acabado de sair de uma reunião.
Valentina abriu a porta do escritório, entrou e atendeu o celular:
— Carolina, tudo bem?
— Pode ser o que você acha, mas Nicolas não pensa assim. — Carolina suspirou novamente. — Você sabe o que ele me disse esta manhã?
— O que ele disse?
— Ele teve a audácia de dizer que, no passado, eu estava obcecada pelo mundo dos negócios, que eu era arrogante, calculista e sem um pingo de feminilidade. Ele disse que agora eu estou muito melhor, cuidando da casa, sendo submissa e “virtuosa”. Segundo ele, é assim que uma mulher deveria ser.
Valentina ficou em silêncio por um momento.
— Isso é tão típico de um homem antiquado.
Carolina soltou uma risada amarga.
— Olha, você sempre teve uma aparência delicada, com uma beleza clássica, e sua personalidade serena só reforça isso. Mesmo no mundo dos negócios, você conseguiu manter uma certa leveza, algo que o Nicolas provavelmente admira. Eu, por outro lado, sou completamente diferente. Fumei, bebi, fui para reuniões tensas e, nos momentos mais caóticos do Grupo Albuquerque, estive no front. Já corri de obra em obra usando sapatilhas, uma vez quebrei o braço com um tijolo que caiu, e mesmo com gesso fui participar de uma licitação... Comparada a você, eu sou praticamente uma fortaleza ambulante.
Carolina tentou transformar suas palavras em brincadeira, mas Valentina percebeu a dor por trás delas.
Ser uma mulher forte no mundo dos negócios nunca foi fácil, especialmente com as dificuldades que a família Albuquerque enfrentava.
— Cada pessoa tem suas próprias qualidades, Carolina. Não deixe que a opinião de um homem te defina. Você é quem você quiser ser.
— Eu sei disso. Agora que finalmente enxerguei as coisas com clareza, quero voltar para o Grupo Albuquerque. Mas o Nicolas não gostou nada dessa ideia. — Carolina suspirou. — Hoje não quero ficar em casa. Você está livre?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Sinceramente, nojo da Valentina e de todos os adultos dessa história. Descontar frustração e mágoa em uma criança de 5 anos que desde o começo é perceptível a manipulação sobre ela, argh, só me dá asco! Alguém Pedir pra escolher entre uma criança ou a si? Sinceramente, tão lixo quantos os outros."Redenção" baseada em frieza e irresponsabilidade afetiva com criança não me desse. Não leiam, não vale a pena, a não ser q pra vc atitudes assim tenham justificativa em nome do amadurecimento...
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...