Lucas fechou a porta e seus olhos encontraram os de Bastian.
A postura de Lucas era firme, confiante. O desespero e a fraqueza que ele um dia exibiu à beira do penhasco agora pertenciam ao passado.
Bastian percebeu o quanto Lucas estava diferente. Ele era agora um homem realizado, com esposa e filhos ao seu lado, repleto de vigor e determinação. Já Bastian, por outro lado, estava em ruínas, um vulto de quem um dia foi, mais morto do que vivo.
Bastian curvou os lábios em um sorriso irônico.
— Lucas, nós dois temos o mesmo sangue, o sangue daquele homem. Então me responde: por que você e eu temos destinos tão diferentes?
— Por causa das suas escolhas. — A expressão de Lucas era fria, quase indiferente. — Os genes defeituosos de Sandro eram patológicos, mas, como toda doença, podiam ser tratados. Para isso, você precisaria admitir que ele estava errado, encarar essa maldição como uma enfermidade. Mas você nunca fez isso. Cada uma das barbaridades que você cometeu prova isso.
— Você só diz isso porque ganhou. — Bastian riu com desprezo. — Mas já esqueceu o que fazia no início? Como daquela vez em que você sequestrou a Valentina para forçá-la a se casar com você em um navio?
Se Bastian não tivesse mencionado aquilo, Lucas talvez o tivesse esquecido. Ele encarou Bastian e deu um sorriso gélido.
— Foi você quem tentou sequestrar Valentina. E fui eu quem chegou a tempo e enfrentou os seus homens.
Naquela época, Lucas não suportava pensar no que poderia ter acontecido com Valentina se ele não tivesse aparecido. Ela poderia ter sido levada à força, com consequências trágicas e imprevisíveis.
O estresse daquela situação foi tão grande que, logo depois de salvar Valentina, Lucas teve uma de suas crises. E foi em meio a essa instabilidade que os episódios insanos no navio aconteceram.
Agora, ao lembrar do que aconteceu, o peito de Lucas ainda parecia apertado, especialmente ao se lembrar do momento em que ele sufocou tanto Valentina que ela se viu forçada a se armar contra ele.
Ainda bem que tudo aquilo já havia passado.
Agora, ele e Valentina tinham resolvido seus mal-entendidos. Quanto ao que havia acontecido no navio, Lucas preferia não tocar no assunto. Ele não queria que Valentina se recordasse daquelas memórias dolorosas. Haviam passado anos complicados demais. Nos dias que restavam, Lucas só queria que Valentina pudesse viver de forma leve e feliz.
Despertando de seus pensamentos, Lucas olhou novamente para Bastian.
— Se você veio aqui para falar disso, então acho que já posso ir embora.
O olhar de Bastian ficou sombrio, cheio de rancor.
— Lucas, você acha mesmo que eu perdi? Pois então saiba... Eu e Valentina temos um filho juntos!
Lucas estreitou os lábios ao ouvir isso.
Bastian, claramente, ainda acreditava que o filho de Zita era fruto de sua relação com Valentina. E mesmo agora, preso, ele ainda não conseguia esquecer Valentina. Ainda sonhava com esse filho.
— Você nunca vai ver essa criança. — A voz de Lucas era dura e cheia de desprezo. — Essa criança não precisa de um pai que é um monstro.
Bastian respirou fundo, os olhos fixos em Lucas. Ele parecia ignorar o insulto, segurando-se apenas em seu próprio delírio.

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