— Papai!
A voz infantil e clara de Marina tirou Valentina de seus pensamentos.
A pequena estava no colo de Marcos e acenava animada para Lucas, que acabava de sair do portão de desembarque.
— Papai! Estamos aqui!
Lucas e Isabela vinham logo atrás, cada um empurrando uma mala de rodinhas.
Mesmo no meio da multidão apressada, o olhar de Valentina encontrou o de Lucas.
Naquele momento, uma sensação inexplicável tomou conta dela, e um aperto suave subiu até seu nariz, como se a emoção fosse transbordar. Ela deu um passo à frente quase sem perceber.
Lucas foi direto até Valentina. Sem hesitar, ele abriu os braços e a envolveu em um abraço firme.
Em meio ao movimento e o burburinho típico do aeroporto, Valentina encostou o rosto no peito dele. O perfume familiar que emanava de Lucas a envolveu, trazendo-lhe uma paz incomparável.
Ele estava de volta.
— Bem-vindo de volta. — As palavras saíram baixas de seus lábios, mas Lucas ouviu com clareza no meio do barulho ao redor.
Aquele simples gesto de carinho causou nele um turbilhão. Ele engoliu em seco, a maçã de Adão subindo e descendo levemente, e, em seguida, abaixou-se para depositar um beijo suave no topo da cabeça dela.
A sensação de pertencimento era insubstituível.
— Hum! — A voz infantil de Marina soou resmungona ao lado deles. — Papai, você é muito injusto!
A reclamação espontânea da filha fez os dois se afastarem do abraço e olharem para a pequena ao mesmo tempo, surpresos.
Marina, ainda no colo de Marcos, cruzava os braços e fazia beicinho. Suas bochechas rechonchudas estavam infladas pela insatisfação.
— Papai, você só ama a mamãe agora! Nem liga mais para mim!
Aquele ciúmes inocente fez Lucas sorrir de leve. Sem dizer nada, ele tirou Marina do colo de Marcos e a segurou nos braços.
Com um gesto carinhoso, ele apertou levemente o nariz da filha, enquanto sua voz grave, porém cheia de ternura, soava tranquila. Mas ele não adotou o tom de quem se rende aos caprichos dela. Pelo contrário, ele foi totalmente honesto com sua resposta.
— Papai ama mais a mamãe. Se papai não amasse a mamãe, Marina, você e Noah nem estariam aqui. Quero que se lembre disso: é porque papai ama muito a mamãe, que vocês dois existem para serem amados também.
Marina franziu o nariz, pensativa. A explicação a deixou ligeiramente confusa. Ela coçou a cabeça com os dedos pequenos e questionou:
— Papai, então quer dizer que, se fosse uma disputa, a mamãe estaria em primeiro lugar?
Lucas sorriu de canto.
— Sim, exatamente isso.
Valentina, de pé ao lado deles, apenas observava sem interferir. Ela sabia que Marina era uma menina bastante esperta e que, com paciência, ela entenderia tudo o que o pai estava tentando explicar.
Depois de digerir a resposta, Marina pareceu aceitar a lógica. Ela balançou a cabeça em concordância e comentou:
— Bem… Na verdade, para mim também, a mamãe é a número um! Mas, papai, e eu? Posso ser a número dois?

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