Valentina fez uma reverência profunda para Eduardo.
— Dr. Eduardo, obrigada por ter vindo.
Eduardo coçou a nuca, parecendo desconfortável.
— Na verdade, eu acabei de encontrar o Lucas no estacionamento... Ele não estava sozinho.
Ao ouvir isso, Valentina franziu as sobrancelhas.
— Eles? — Lívia perguntou, já com um mau pressentimento. — Lucas e quem mais?
Antes que Eduardo pudesse responder, sons de passos na entrada chamaram a atenção de todos.
Lucas apareceu, acompanhado de Cecília e Gabriel, que tinha a testa envolta por uma faixa de gaze.
— Ah, não… — Lívia arregaçou as mangas. — Se eu deixar isso passar, é porque perdi a noção!
A mãe de Lívia, Mariana, foi até ela rapidamente e a segurou pelo braço, sussurrando:
— O que você pensa que está fazendo? Isso é um funeral. Controle-se!
— Eles estão claramente aqui para arrumar confusão! — Lívia respondeu entre os dentes, furiosa.
— Respeite a memória da Camila! — Mariana insistiu. — Observe primeiro. Não faça nada impulsivo.
Relutante, Lívia tentou conter sua raiva e cruzou os braços, respirando fundo.
Lucas, Cecília e Gabriel avançaram até a mesa onde estavam os itens do funeral. Eles pegaram velas das mãos dos funcionários e se prepararam para acendê-las em homenagem a Camila.
Valentina se adiantou, posicionando-se diretamente em frente à foto de sua mãe, bloqueando o caminho deles.
Lucas e Cecília pararam, claramente surpresos.
— Vocês não têm o direito de prestar homenagem à minha mãe! — Valentina disse, olhando para eles com tanta repulsa e desprezo como se estivesse encarando assassinos.
Lucas franziu a testa e abriu a boca para falar, mas Eduardo agiu rápido, puxando-o para o lado.
— Você enlouqueceu? — Eduardo sussurrou, pressionando Lucas contra a parede. — Vir aqui já foi uma ideia estúpida, mas trazer Cecília? O que você estava pensando?
— Cecília cancelou compromissos importantes para estar aqui. Ela está sendo sincera. — Lucas respondeu, em tom firme. Após uma pausa, acrescentou. — Valentina guarda rancor dela, mas Cecília veio para esclarecer tudo e resolver as coisas.
Eduardo arregalou os olhos, incrédulo. Ele ficou sem palavras por três segundos antes de balançar a cabeça e murmurar:
— É, você realmente precisa se divorciar. Faz todo sentido.
Cecília recuou mais alguns passos, até tropeçar e cair no chão com um grito.
— Ai! Meu pé… — Cecília exclamou, segurando o tornozelo com uma expressão de dor.
— Mamãe! — Gabriel correu até ela, abaixando-se preocupado. — Mamãe, você está bem?
Cecília, com os olhos cheios de lágrimas, balançou a cabeça.
— Estou bem. Só torci o pé sem querer.
Gabriel franziu a testa, mas logo se levantou e caminhou até Valentina. Ele a encarou com seriedade, parecendo muito mais maduro do que sua idade permitia.
— Mamãe, você está enganada sobre a mamãe Cecília!
Valentina arqueou uma sobrancelha, olhando para ele com frieza.
— Estou enganada?
— Está, sim! — Gabriel insistiu, assentindo com a cabeça e franzindo as sobrancelhas para ela.
— Foi a mamãe Cecília quem nos disse que a vovó e você não tinham muitos parentes ou amigos. Ela ficou com medo de que o funeral ficasse vazio e que você ficasse ainda mais triste. Por isso, ela cancelou um trabalho muito importante para vir com a gente! A mamãe Cecília só quer te ajudar. Ela é tão boa, você não pode ser má com ela!

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